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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Malária impõe toque de recolher no Peru


O dia termina cedo no pequeno povoado de Caserío San Pedro, na Amazônia peruana. Por volta das 18 horas, os cerca de 350 moradores vão para suas camas e lá permanecem até a manhã do dia seguinte. Esse, no entanto, não é um hábito que nasceu com a comunidade, há 92 anos. A regra foi instituída em 2008, quando teve início um projeto de combate à malária na região.
Veja também:
link Tuberculose é outro fardo peruano

Doação. Mosquiteiros são impregnados com inseticida que dura 5 anos - Marco Simola/Fundo Global
Marco Simola/Fundo Global
Doação. Mosquiteiros são impregnados com inseticida que dura 5 anos
“O objetivo é evitar o horário que o mosquito transmissor da doença sai para se alimentar”, explica Felix Gutierrez, agente comunitário de saúde e morador local. “Não foi difícil convencer a população. Ninguém aqui quer ficar doente”, diz ele, com a experiência de quem já contraiu malária três vezes e a descreve como uma dor insuportável e uma sensação de frio que parece congelar os ossos.
Mas se esconder dentro das casas rusticamente construídas com ripas de madeira e cobertas de palha não é suficiente. As camas, também feitas de madeira e palha e revestidas com tecido, têm de ser protegidas com mosquiteiros especiais, impregnados com inseticida capaz de manter os insetos longe por cinco anos.
As telas de proteção foram doadas pelo Projeto de Controle da Malária nas Áreas de Fronteira da Região Andina (Pamafro), que em cinco anos reduziu em 85% os casos de malária e em mais de 70% a mortalidade pela doença em 51 distritos peruanos, onde moram 1 milhão de pessoas. A iniciativa teve financiamento do Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária.
A estratégia. Gutierrez tem a missão de ensinar a população de Caserío San Pedro a usar os mosquiteiros, queimar o lixo e não deixar acumular água parada, para evitar que o ambiente se torne propício para a proliferação do mosquito Anopheles. Sua mais importante tarefa, porém, é notificar o posto de saúde mais próximo - a 40 minutos de caminhada na mata e mais uma hora de barco - sempre que alguém fica doente. Mas antes ele aplica testes sanguíneos nos demais moradores para identificar possíveis contaminados e garantir tratamento imediato.
Essa estratégia é a chave para evitar a disseminação da malária, explica o imunologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Maurício Rodrigues. Isso porque, ao picar uma pessoa doente, o mosquito se contamina com o parasita causador da enfermidade - o Plasmodium - e o transmite para sua próxima vítima. “Um único doente sem tratamento pode, em uma semana, resultar em 50 novos casos”, diz Rodrigues.
Em 2007, quase metade da população de Caserío San Pedro estava acometida. “Para onde você olhava havia malária. Meus vizinhos, filhos e netos caíram de cama”, lembra Javier Valencia, de 62 anos, descendente de um dos fundadores da vila. “A doença me agarrou pela primeira vez aos 40 anos. Quase morri. Foram 15 dias de febre sem saber a causa. Não havia malária por aqui até então.” Mal tinha se recuperado, seis meses depois, Valência se tornou novamente vítima do Anopheles.
No auge da epidemia, a comunidade chegou a registrar 20 novos casos por mês. “Éramos uma zona de emergência sanitária”, conta Marcos Hoyos, “tenente-governador” do povoado. Em outubro deste ano, apenas o garoto Darwin Macahuachi, de 8 anos, ficou doente. Em toda a região de Loreto, nordeste do Peru, os casos caíram de 15 mil para 900 por ano. Nenhuma morte foi registrada desde 2008.
Mas o projeto Pamafro e o financiamento do Fundo Global terminaram em 2010. Agora, o Ministério da Saúde peruano tenta manter a iniciativa com recursos próprios. “As ações continuam, mas não com a mesma periodicidade. Poderíamos estar em melhores condições”, admite Teresa Chunga, técnica do ministério.
O caso brasileiro. No Brasil, os casos de malária também estão em queda. Segundo dados do Ministério da Saúde, o número passou de 168 mil para 115 mil nos primeiros seis meses deste ano, em relação ao mesmo período de 2010 - redução de 31%. As internações tiveram queda de 20%, passando de 2,5 mil para 2 mil. Mas os índices ainda são altos. Por aqui, as ações de combate à doença também contam com apoio do Fundo Global, que doou cerca de R$ 30 milhões.
O dinheiro está sendo usado na aquisição de 1,1 milhão de mosquiteiros, distribuídos nos 47 municípios da Amazônia Legal com mais casos de malária no País. Também ajudou na compra de testes de diagnóstico rápido e no trabalho de conscientização dos moradores sobre como se proteger da doença.
O financiamento, porém, termina neste ano. Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do ministério, afirma que o País não terá dificuldade para manter o trabalho.
“A estratégia brasileira se baseia na busca ativa dos casos. Os agentes de saúde vão de casa em casa e perguntam se tem algum doente”, conta Maurício Rodrigues. Mas, por medo dos efeitos colaterais do tratamento, muitos contaminados negam sua condição e acabam se tornando foco de proliferação da doença. “É um trabalho sem fim, como enxugar gelo. Mas, se deixar correr solto, haverá uma epidemia que vai afetar milhões.”

Exposição na Suíça mostra que informação demais pode provocar doenças

Uma insólita exposição no Museu da Comunicação de Berna, na Suíça, aletar para os malefícios do excesso de comunicação e propõe um tratamento para o problema.

Na entrada da mostra, aberta até 12 de julho de 2012, o visitante encontra uma sala na penumbra com 12 mil livros amontoados em estantes, simbolizando a quantidade de dados que cada habitante da Terra recebe diariamente.

"Em princípio, a comunicação é algo importante, algo prazeroso, mas atualmente há um excesso de informação", explicou a diretora do Museu da Comunicação, Jacqueline Strauss.

"É como a alimentação. Podemos comer demais, comer sempre o mesmo (...), isso faz mal, mas se temos uma alimentação equilibrada, é algo prazeroso", argumentou.

Segundo especialistas da Universidade de Berna que participaram da exposição, um ser humano consegue ler no máximo 350 páginas por dia caso se dedique exclusivamente a isso durante todo o dia.

Mas o volume de informação que atualmente cada pessoa recebe, por internet, e-mail, telefone, imprensa, rádio e televisão representa 7.355 gigas, o equivalente a bilhões de livros.

Diante desse fluxo de informação, "algumas pessoas adoecem" e podem chegar a padecer de um mal que a psicologia conhece como síndrome de "burnout", afirmou Strauss.

Por esse motivo, foi criada uma "clínica" na exposição, para que o visitante se conscientize do problema.

Em um aparelho de televisão instalado na entrada da clínica, uma voz feminina diz: "a publicidade invade nossas caixas de correio, os 'spams' obstruem nosso e-mail, a TV a cabo nos oferece 200 canais de televisão".

"Você está estressado, sobrecarregado, esgotado?", pergunta ela.

Se o visitante responder afirmativamente, é convidado a seguir para uma "sala de check-up", onde responderá a um questionário que determinará seu Índice Pessoal de Comunicação (IPC).

Com esse índice em mãos, o visitante inicia um percurso, orientado por uma dezena de "preparadores" que indicam que porta deve abrir. A verde é indicada para quem não tem problemas. A amarela, para aqueles que sofrem de alguns males causados pelo fluxo de informação e dá acesso a espaços de aconselhamento onde, por exemplo, se ensina a selecionar as mensagens recebidas por e-mail.

Para os realmente "doentes" há dois tipos de tratamento intensivo: uma porta vermelha leva a uma "sala de meditação", onde o visitante se acomoda em almofadas pretas, uma luz vermelha o obriga a fechar os olhos e uma voz feminina o convida a relaxar.

já uma sala laranja simula um passeio pela natureza, com paredes de madeira e chão de pedras. O visitante também pode ouvir o barulho de um riacho ou o canto de pássaros.

Ao final do percurso, uma máquina entrega ao visitante um medicamento, a "Comucaína", cujo prospecto resume os principais conselhos dados na exposição.

Para os mais intoxicados, a clínica oferece um serviço online, disponível na páginawww.facebook.com/svanbelkom.

Desenvolvida primeira alternativa real aos antibióticos


Desenvolvida primeira alternativa real aos antibióticos
Pesquisadores partiram das plantas para desenvolver uma alternativa aos antibióticos que desarma as bactérias sem precisar matá-las, eliminando o problema da resistência bacteriana.

Superando os antibióticos
Os antibióticos representam um dos maiores sucessos na história da medicina.
Contudo, por várias razões, esta solução vem mostrando seus limites, sobretudo na forma de uma crescente resistência dos microorganismos a esses medicamentos.
Agora, o pesquisador Ching-Hong Yang, da Universidade de Wisconsin (EUA), desenvolveu uma técnica que pode superar os antibióticos.
Yang descobriu uma técnica alternativa que, em vez de se concentrar em matar as bactérias, apenas "desarma" esses microorganismos, incapacitando-os de causar infecções.
Desarmando as bactérias
O Dr. Yang descobriu um composto químico que desliga uma "válvula" no DNA das bactérias que é essencial para que elas invadam e infestem outros organismos.
"Nós analisamos as rotas genômicas de defesa nas plantas para identificar todos os precursores da infecção. Então nós usamos essa informação para descobrir um grupo de novas pequenas moléculas que interrompem um canal nessa rota," explica ele.
A equipe testou o composto em bactérias de alto poder infeccioso, duas das quais afetam plantas e uma que ataca humanos. O composto foi eficaz contra todos os três patógenos.
A pesquisa é tão promissora que, mesmo em suas fases iniciais, duas empresas farmacêuticas já se ofereceram para bancar os testes em maior escala.
Causa da resistência aos antibióticos
Segundo os pesquisadores, a resistência aos antibióticos não é meramente uma questão de uso indevido dos medicamentos por humanos.
Ocorre que os antibióticos são rotineiramente pulverizados em plantações e largamente utilizados na criação de animais, o que seriam as principais causas do desenvolvimento da resistência.
A resistência aos antibióticos é então transferida aos humanos que comem os alimentos contendo as bactérias resistentes.
O que é único na nova pesquisa é que os compostos agora descobertos não são antibióticos, mas produzem o mesmo efeito.
Um grupo de pesquisadores alemães está desenvolvendo uma outra alternativa aos antibióticos, mas usando bactérias decompositoras.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

BOLETIM INFORMATIVO ABRASCO


Impasses e Alternativas para o Financiamento do SUS Universal
A ABRASCO, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Laboratório de Economia Política da Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LEPS/UFRJ) estão organizando o seminário "Impasses e Alternativas para o Financiamento do SUS Universal". O evento será realizado amanhã, 04 de novembro, das 9h às 18h, no Colégio de Altos Estudos da UFRJ (Av. Rui Barbosa, 762, Flamengo, Rio de Janeiro). O encontro é gratuito e tem como público alvo pesquisadores, formuladores e executores de políticas públicas, entidades de profissionais de saúde e movimentos sociais. Clique nos links a seguir e confira o termo de referência e a programaçãodo Seminário. O áudio do encontro será transmitido via internet com acesso através da página da ABRASCO.


Saúde da Criança e do Adolescente: saberes, práticas e perspectivas
"Saúde da Criança e do Adolescente: saberes, práticas e perspectivas" é o tema do número de outubro da Revista Ciência & Saúde Coletiva que apresenta artigos sobre a promoção da saúde e os cuidados com crianças e adolescentes sob a ótica da Saúde Coletiva. Os textos oferecem diferentes abordagens metodológicas, apresentam uma multiplicidade de saberes, pontos de vista e autores de várias regiões do país. Em seu conjunto, os artigos apresentam uma reflexão abrangente sobre aspectos que vão desde o nascimento pré-termo à adolescência, integrando, estudos epidemiológicos, avaliação de comportamentos e práticas, educação em saúde e avaliação de programas de promoção e assistência. Entre os destaques estão as pesquisas sobre abandono do aleitamento materno e sobre intenção de abandono de mães de bebês prematuros impõem uma reavaliação de condutas e práticas ligadas ao nascimento. O abandono da amamentação e o posterior abandono do bebê em hospitais podem ter raízes nas omissões institucionais em relação à mulher no ciclo grávido-puerperal, no excesso de cesarianas, nas práticas hospitalares que desautorizam as mães, afastam o pai, a família e as redes de apoio social. Alguns textos dão ênfase à articulação de fatores biológicos e ambientais no desenvolvimento infantil mostrando associação entre ambiente domiciliar e alterações no desenvolvimento, retardo estatural em menores de cinco anos, fatores de risco para sobrepeso em adolescentes; assim como ao papel das redes sociais e da comunicação em programas de acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança. Vários outros assuntos importantes são tratados, mas, tratando-se de humanização dos cuidados, destaque especial deve ser dado ao artigo: “Dialogia do riso: um novo conceito que introduz alegria para a promoção da saúde apoiando-se no diálogo, no riso, na alegria e na arte da palhaçaria”. Veja o sumário da Revista clicando aqui.


Coordenadora do Fórum dos Cursos de Pós-Graduação em Saúde Coletiva é aprovada no concurso para professora titular da UFC
Maria Lúcia Bosi, coordenadora do Fórum de Coordenadores dos Cursos de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da ABRASCO, foi aprovada no concurso para professora titular do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (DSC/UFC). A defesa do memorial foi realizada no último dia 18 e a aula magna no dia 19 de outubro. Para a Diretoria da ABRASCO a realização de Concurso para Professor Titular vinculado à Saúde Coletiva representa um acontecimento de grande importância, um reconhecimento das contribuições deste campo, no âmbito de uma Faculdade de Medicina. Mais detalhes aqui.


Hésio Cordeiro recebe a comenda Sergio Arouca do Conselho Federal de Medicina
O ex presidente da ABRASCO (gestão 1983 - 1985), Hésio Cordeiro, recebeu a comenda Sérgio Arouca de Medicina e Saúde Pública do Conselho Federal de Medicina (CFM) no último dia 26 de outubro. Cordeiro recebeu a medalha das mãos do médico Luiz Odorico Monteiro de Andrade, da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa (SGEP/MS) do Ministério da Saúde. “Esse prêmio não é um prêmio isolado. Existem muitas pessoas com as quais devo compartilhar”, destacou Cordeiro, lembrando dos colegas que lutaram pela reforma sanitária.A solenidade de entrega foi realizada na sede do Conselho em Brasília sendo homenageados também os médicos Ivo Pitanguy (comenda Moacyr Scliar de Medicina, Literatura e Arte) e Ricardo Paiva (comenda Zilda Arns Neumann de Medicina e Responsabilidade Social). Hésio graduou-se na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em 1965, onde também cursou o mestrado em Saúde Coletiva (1978). É doutor em Medicina Preventiva pela Universidade de São Paulo (USP). Na área da educação, foi presidente do Conselho Nacional de Educação, reitor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e diretor do curso de Medicina da Universidade Estácio de Sá. Atualmente, é coordenador do mestrado profissional desta universidade.Hésio Cordeiro é um dos articuladores do Movimento da Reforma Sanitária, que culminou com a criação do SUS. Mais detalhes sobre a cerimônia aqui.


Paulo Buss será membro da The Lancet-University
O ex-Secretário Executivo da ABRASCO, ex-presidente da Fiocruz e atual coordenador do Centro de Relações Internacionais em Saúde e , Paulo Buss, acaba de ser convidado a ser membro da The Lancet-University of Oslo Commission on Global Governance for Health. Membros de diferentes países formarão a Comissão, que examinará aspectos de governança – nos níveis global e nacional – no setor da saúde e em outros que impactam a saúde. A Comissão irá analisar e propor recomendações sobre esse tema, que serão publicadas na edição de agosto de 2013 da revista The Lancet e apresentadas à Assembleia Geral das Nações Unidas do mesmo ano. O primeiro encontro da Comissão será realizado ainda nesse ano, em dezembro, na cidade de Oslo, Noruega (com informações da Agência Fiocruz).


Gastão Wagner participará de Seminário organizado pela FSP/USP
O conselheiro da ABRASCO, Gastão Wagner de Souza Campos, estará participando do seminário “Implicações técnicas e políticas das propostas da 6ª Conferência Estadual de Saúde de SP para a política estadual de saúde e para a 14a Conferência Nacional de Saúde” no próximo dia 08 de novembro, às 14h, na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. O evento será aberto ao público em geral e colocará em debate as propostas apresentadas à 14ª Conferência Nacional de Saúde (14ª CNS). Gastão Wagner, professor titular da Unicamp e relator geral da 14ª CNS, proferirá a palestra de abertura. Também participarão do Seminário, compondo a Mesa de Debates, a Dra. Stela Pedreira, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, representando os gestores da saúde, a Sra. Cícera Salles, pelo segmento dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), o Sr. Luiz Antonio Queiroz, representando os trabalhadores, e a Dra. Marília Louvison, relatora geral da 6ª Conferência Estadual de Saúde, realizada em Serra Negra no período de 31 de agosto a 2 de setembro deste ano, como etapa paulista da 14ª CNS. Mais detalhes sobre o Seminário aqui.


Protocolos Regionais de Políticas Públicas em Telessaúde para a América Latina
A coordenadora do GT Informações em Saúde e População (GTISP) da ABRASCO e docente da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), Ilara Hammerli Sozzi de Moraes, coordenará o componente Gestão da Telessaúde do Projeto "Protocolos Regionais de Políticas Públicas em Telessaúde para a América Latina". Confira a entrevista concedida pela pesquisadora ao Informe ENSP, na qual analisa o processo de transição do mundo analógico para o digital e descreve todo o projeto de Telessaúde na América Latina clicando aqui


Construindo caminhos pra a análise de políticas públicas de saúde
A mesa de lançamento do site “Construindo caminhos pra a análise de políticas públicas de saúde” será realizada no próximo dia 08 de novembro de 2011 às 14h, no Auditório do Instituto de Medicina Social (IMS/UERJ). Resultado de uma parceria entre pesquisadores do IMS/UERJ, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) e da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), o projeto tem como objetivo compartilhar um conjunto de materiais sobre as diferentes perspectivas de análise de políticas de saúde, explorando as ferramentas de pesquisa e o aprendizado no caminhar e no desenvolvimento de estudos. A aposta do projeto é a de incentivar que mais pessoas se engajem em pesquisas sobre políticas de saúde, bem como promover a troca e interação entre grupos que têm se dedicado a esta área de pesquisa. O material está disponível na página do projeto e o site permite a introdução de comentários e pretende se constituir num espaço plural de debate e uma ferramenta abrangente de formação. Acesse www.ims.uerj.br/ccaps!


1° Fórum Nacional de Racionalidades Médicas e Práticas Integrativas e Complementares de Saúde
1° Fórum Nacional de Racionalidades Médicas e Práticas Integrativas e Complementares de Saúde, é uma contribuição para o debate em curso sobre esses temas na Saúde Coletiva, no Brasil , em outros países da América Latina, na África e, mais recentemente, na Europa. Pioneiro na discussão acadêmica, e na política de integração aos serviços públicos de saúde dessas racionalidades e práticas, nosso país acumulou uma experiência na implementação na atenção, e na reflexão acadêmica, experiência que exige uma abertura de discussão para a sociedade civil: alunos, profissionais, pesquisadores e docentes do grande campo da Saúde, mas também para gerentes e gestores no âmbito da política de saúde nacional e estadual. O evento será realizado de 25 a 28 de abril de 2012 no campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF). A Comissão Científica do evento receberá resumos de trabalhos até o dia 16 de dezembro. Mais detalhes aqui.


Prêmio Capes de Tese 2011
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) recebe, até 25 de novembro, as inscrições para o Prêmio Capes de Tese 2011, outorgado às melhores teses de doutorado defendidas em 2010, selecionadas em cada uma das áreas do conhecimento reconhecidas pela Capes nos cursos de pós-graduação adimplentes e reconhecidos no Sistema Nacional de Pós-Graduação. O prêmio é realizado em parceria com a Fundação Conrado Wessel e o Instituto Paulo Gontijo. A pré-seleção das teses a serem indicadas ao Prêmio deve ser feira nos programas de pós-graduação das instituições de ensino superior. Após a indicação da tese vencedora pela comissão de avaliação, o coordenador do programa de pós-graduação é responsável pela inscrição da tese, exclusivamente pelo site da Capes. Mais informações aqui.

Pessoas que desenvolvem obesidade têm maior risco de sofrer do coração

Estudo mostra que existe uma associação perigosa entre o baixo peso ao nascer com o sobrepeso durante a vida: mais chances de doenças cardiovasculares e diabetes

Pessoas com baixo peso ao nascer, mas que desenvolvem obesidade durante a infância ou na vida adulta, têm maior risco de apresentar doenças cardiovasculares e resistência à insulina - fator de risco para diabetes.

Uma das razões para essa associação, destacada em diversos estudos nos últimos anos e que ainda não está completamente elucidada, pode estar na alteração dos níveis de proteínas (adipocitocinas) produzidas pelo tecido adiposo e que funcionam como fatores de proteção ou, inversamente, de risco para doenças cardiovasculares.

A constatação foi feita por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) por meio de um projeto realizado com apoio da Fapesp.

A pesquisa envolveu uma avaliação de 547 crianças, de 6 a 12 anos de idade, de uma escola no município de Embu, na Grande São Paulo. Foram caracterizados o peso ao nascer, antecedentes familiares para doenças cardiovasculares, estado nutricional, pressão arterial e perfil lipídico, de glicemia, insulina e de adipocitocinas, entre outros indicadores.

Por meio de exames laboratoriais, verificou-se que cerca de 30% das crianças apresentavam alto grau de sobrepeso ou de obesidade, associados a fatores como o aumento do colesterol e da pressão arterial. As crianças com peso mais baixo ao nascer apresentaram níveis mais elevados de triglicérides, ácido úrico e do índice HOMA, que está relacionado à resistência à insulina.

A partir da comparação das crianças obesas ou com sobrepeso e com baixo peso ao nascer com as de peso normal no nascimento, os pesquisadores também observaram que as primeiras tinham níveis mais baixos de determinadas adiponectinas - uma classe de adipocitocinas que protege contra diabetes tipo 2 e doença cardiovascular.

Mas esse primeiro grupo apresentou níveis mais elevados de outras adipocitocinas, que atuam como marcadores inflamatórios e endoteliais e são indicadores de risco de doenças cardiovasculares.

“Com isso, conseguimos verificar de modo parcial a associação entre o baixo peso ao nascer com o maior risco de doença cardiovascular na vida adulta”, disse Maria Wany Louzada Strufaldi, professora da Unifesp e coordenadora do projeto, à Agência FAPESP.

Segundo ela, a pesquisa abre uma nova perspectiva para explicar pelo aspecto inflamatório a associação entre baixo peso ao nascer com sobrepeso ou obesidade e riscos de doenças cardiovasculares, cujos mecanismos ainda não estão claros.

“Ninguém sabe exatamente qual criança irá desenvolver doença cardiovascular. Sabemos dos fatores de risco, mas em que momento isso pode acontecer, ou mesmo se irá ocorrer, ainda não está claro”, disse.

Sinais de alerta

Os pesquisadores também avaliaram os níveis de resistina apresentados pelas crianças com sobrepeso ou obesidade e baixo peso ao nascer. Estudos anteriores apontaram que a resistina teria a função inversa da adiponectina. Entretanto, na nova pesquisa, a proteína não foi identificada como um fator de proteção ou de risco para doença cardiovascular e não se mostrou associada com outros marcadores inflamatórios ou com o peso ao nascimento das crianças avaliadas.

“Isso mostra como é complexo elucidar os mecanismos que estão por trás da associação entre baixo peso ao nascer, sobrepeso e obesidade e aumento de risco de doença cardiovascular. Há muitos caminhos para tentarmos desvendar quais fatores interferem ou não nessa questão”, avaliou Strufaldi.

O grupo da Unifesp pretende investigar se os mecanismos que observaram na pesquisa também se reproduzem de forma expressiva em crianças com doenças crônicas, como a asma.

Por meio disso, além de tentar encontrar uma explicação fisiopatológica para possíveis mecanismos inflamatórios associados ao peso de nascimento, também se pretende obter uma aplicação clínica.

“A partir do aumento da prevalência de doenças crônicas, como a obesidade, o diabetes e a própria asma, esses estudos são importantes para que os pediatras possam identificar sinais de alerta e realizar exames mais precocemente ou mais detalhados em certas crianças”, disse Strufaldi.