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sábado, 9 de abril de 2011

Anvisa vai limitar uso de Talidomida a partir de maio

O medicamento usado como sedativo continua fazendo vítimas no País

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai limitar o uso da talidomida a partir de maio. O medicamento é responsável pela má-formação de fetos quando usado por gestantes e é usado no tratamento de quatro doenças: câncer, DST/aids (úlceras aftóide idiopática), lúpus eritematoso sistêmico e hanseníase.

O Ministério da Saúde, em parceria com a Anvisa, vai preparar cartilhas, a fim de orientar os municípios onde foram registrados mais casos, sobre o risco do uso discriminado do sedativo. Também entre as ações, estão previstas a modificação da embalagem do medicamento, que virá com a imagem de uma criança acometida pela talidomida no cartucho e a inclusão da informação sobre a tarja preta do remédio na bula, com alertas para o uso.

Segundo José Agenor, diretor da Anvisa, os profissionais de saúde receberão orientações para controlar o uso do medicamento. “Não temos pernas para fazer uma grande campanha, mas essa parceria com o ministério será fundamental para dar o primeiro passo.”

Entre as principais modificações na distribuição do medicamento estão: a obrigatoriedade de notificação de reações adversas, o que atualmente não é exigido; a criação de cadastro de prescritores e usuários, pois, atualmente, somente existe o cadastro de serviços públicos de saúde; a concessão do receituário pelas vigilâncias sanitárias, o que trará um maior controle; orientações sobre devolução e descarte; e a responsabilização criminal por uso indevido.

No ano passado, foram registrados dois casos de crianças atingidas pelos efeitos da talidomida, no estado do Maranhão: o de um bebê que nasceu em dezembro e o de uma criança de 12 anos de idade. Com esses casos, sobe para sete o número de vítimas no país desde 1997.

Segundo a presidente da Associação Brasileira dos Portadores da Síndrome da Talidomida, Claúdia Maximino, o Brasil está atrasado no combate ao uso indiscriminado do medicamento. “O país é o único a apresentar casos [síndrome] de talidomida, enquanto isso, em outros países, é um fator [o controle do uso do medicamento] pré-histórico.” Cláudia ressaltou, ainda, que toda a sociedade deve se integrar nessa ação. “É papel de todos combater a talidomida.”

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Cabras transgênicas brasileiras produzem leite com medicamento

Fábricas ambulantes
Cientistas brasileiros estão usando cabras transgênicas para produzir o equivalente mais eficiente de um medicamento que custa R$500,00 cada ampola.
Os animais geneticamente modificados funcionam como uma espécie de "fábrica biológica" para os medicamentos - os cientistas as chamam de biorreatores.
A transgênese em mamíferos para produção de biorreatores é mais eficiente do que o método tradicional - cultivo de bactéria ou células de mamíferos - porque os animais produzem uma proteína mais similar à natural e de maneira mais econômica.
"De forma geral, os medicamentos assim produzidos seriam mais eficientes e mais baratos", afirma o pesquisador Vicente Freitas, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (UFRJ).
Proteína hG-CSF
O foco do trabalho de Vicente e sua equipe, em parceria com cientistas da Rússia, é o uso de biotecnologias na reprodução dos animais para a multiplicação de caprinos transgênicos capazes de secretar a proteína hG-CSF.
A proteína hG-CSF é um medicamento importado amplamente utilizado devido à sua comprovada eficiência contra diferentes formas de neutropenia e leucopenia, induzidas por quimioterapia.
Existem no mercado duas apresentações do remédio: o Filgrastim e o Lenograstim, ambos custando em média R$ 500,00 a ampola.
Geração das cabras transgênicas
Pesquisas com animais transgênicos são alternativas viáveis no desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento de diversas doenças em humanos.
A transgênese em grandes animais, sobretudo em ruminantes, é uma importante aplicação biotecnológica para a produção de proteínas recombinantes em escala comercial.
"De uma maneira resumida, cabras doadoras de embriões são induzidas para superovular com uso de hormônios. Essas cabras são cobertas por bodes férteis e algumas horas após a fecundação faz-se a colheita cirúrgica dos embriões recém-fecundados. Os embriões são levados a um microscópio, acoplado a um micromanipulador, aonde é realizada a microinjeção. Após este procedimento, os embriões são transferidos para cabras receptoras que levarão a gestação até o parto. Após o nascimento, um teste de DNA irá detectar os animais transgênicos", explica Vicente.
Cabras transgênicas produzem medicamentos
A cabra geneticamente modificada é submetida a uma lactação induzida (sem a necessidade de uma gestação) e produz aproximadamente 630 microgramas de hG-CSF por mililitro (ml) de leite.
Isto equivale a quase duas ampolas do medicamento disponível no mercado. Cada paciente normalmente é submetido a um tratamento completo de 14 ampolas.
"Na hipótese de uma recuperação de 100% da proteína no leite, somente sete mililitros do leite de nossa cabra seriam suficientes para um tratamento. Imagine que esta cabra pode produzir até um litro de leite por dia e ter uma lactação que dura em torno de 150 dias. Dessa forma, acreditamos que um pequeno rebanho transgênico pode atender à necessidade de hG-CSF do Brasil" ressalta Vicente.
Após a colheita do leite e purificação da proteína é que o medicamento poderá ser produzido.
Rebanho transgênico
Contudo, antes da comercialização virá uma etapa longa, que consiste na validação do medicamento, com a realização de testes pré-clínicos, clínicos etc.
Para a produção da proteína em escala comercial será necessário um número adequado de cabras lactando e secretando a proteína recombinante em seu leite.
Para este objetivo estão sendo utilizadas duas estratégias: utilização do sêmen do macho transgênico para fecundação de cabras não transgênicas; e produção de embriões da fêmea transgênica (após fecundação com sêmen de macho não transgênico), com sua posterior transferência para cabras receptoras.
As estratégias têm-se mostrado eficientes: em menos de um ano de projeto o grupo já obteve descendentes tanto para o macho como para a fêmea transgênica.

'Volta' da anestesia em 3 minutos

Remédio que passou a ser usado por hospitais de SP acelera retomada dos movimentos após cirurgia

Hospitais da capital começaram a usar um novo medicamento capaz de promover em apenas três minutos a recuperação dos movimentos do corpo após a aplicação de uma anestesia geral. Sem ele, o paciente leva aproximadamente uma hora para retornar do relaxamento muscular profundo.

A medida não serve apenas para garantir conforto. O retorno rápido dos movimentos musculares reduz os riscos de problemas cardiovasculares, além de colaborar para que o paciente volte a respirar sem a ajuda de aparelhos, explicam os médicos.

A questão envolve, ainda, um lado emocional. Segundo a professora de anestesiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Maria Angela Tardelli, a demora para retomar as contrações musculares também pode provocar estresse psicológico.

“Há casos em que o paciente retoma a consciência, mas não consegue falar ou se mexer. É uma situação de extremo estresse que sobrecarrega o sistema cardiovascular”, diz Maria Angela. De acordo com a Sociedade Americana de Anestesiologia (ASA), 25% das pessoas postergam a operação justamente por medo dos efeitos da anestesia.

De acordo com um levantamento publicado pela revista da Sociedade Internacional de Snestesiologistas, Anesthesia & Analgesia, o bloqueio residual pós-operatório, ou seja, a não recuperação total dos movimentos musculares do corpo, é vivida por quase metade (47%) dos pacientes que passam mais de um dia no hospital após a cirurgia.

O mesmo ocorre com 38% das pessoas que recebem alta logo após o procedimento. “Nesses pacientes não deveria haver bloqueio residual”, garante Maria Angela.

O remédio usado na capital para apressar a recuperação dos movimentos após a anestesia é um composto à base de sugamadex sódico, comercialmente conhecido como Bridion. Ele age revertendo o relaxamento muscular profundo provocado por tipos específicos de bloqueadores neuromusculares, como os relaxantes Rocurônio e o Vecurônio.

“A tendência é que se aumente o uso de relaxantes musculares que possam ser bloqueados com o sugamarex. Assim, damos mais tranquilidade ao paciente, que sabe que pode ser despertado mais rapidamente”, afirma Marco Antônio P. Aranha, coordenador médico da área de anestesia do Hospital Santa Catarina.
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Os anestésicos agem de três formas no corpo dos pacientes. Provocam a inconsciência, evitam a dor e relaxam os músculos. “Os anestésicos costumam ser de ação curta. São metabolizados rapidamente e o relaxante muscular era o que ficava para trás, demorando mais para parar de agir no corpo”, detalha o anestesista do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, Marcos Euder Mendonça de Brito.

EFEITO RESIDUAL
Dificuldade para respirar
Fraqueza
Dificuldade para engolir
Tosse ineficiente, incapaz de expelir resíduos
Risco de engasgar
Estresse psicológico causado pelo despertar sem o movimento muscular
Esse estresse aumenta o risco de o paciente passar por problemas cardíacos

terça-feira, 5 de abril de 2011

Brasileiros criam "mochila" para células carregarem medicamentos

Mochila celular
O engenheiro químico Fernando da Cruz Vasconcellos, da Unicamp, desenvolveu materiais biocompatíveis capazes de interagir com células e, ao mesmo tempo, preservar sua funcionalidade.
O material é chamado tecnicamente filme fino de multicamada.
Complexos de filme-célula podem ser utilizados como biossensores ou como uma espécie de "mochila" para as células transportarem fármacos, agentes quimioterápicos e outros compostos para tratamentos de doenças e tumores.
Filmes biocompatíveis
Os filmes, manipulados no nível nano ou molecular, foram depositados sobre substratos de vidro utilizando a técnica camada por camada (layer-by-layer - LbL).
O processo é muito simples. O substrato é imerso em diferentes soluções de polímeros à base de água, às quais podem ainda ser adicionados outros componentes, tais como partículas magnéticas, substâncias fluorescentes, nanobastões de ouro, fármacos, etc., segundo a aplicação de interesse.
A imersão é feita de forma alternada e sequencial nas diferentes soluções poliméricas, gerando sobre o substrato um filme de multicamadas.
Esses filmes multicamadas biopoliméricos são capazes de imobilizar linfócitos (células não-aderentes do sistema imune).
"Estes filmes que permitem imobilizar linfócitos têm grande potencial para estudos imunológicos fundamentais, para biossensores à base de células e, também, em aplicações de engenharia do sistema imune", relata Vasconcellos.
Mochila-célula
Esse tipo de estrutura complexa "filme-célula" - ou "mochila-célula", como os cientistas dizem - pode, por exemplo, conter um medicamento para ser administrado a um paciente em busca de um tratamento específico.
"Células funcionalizadas com filmes multicomponentes contendo partículas magnéticas podem ser direcionadas a uma região específica a ser tratada, com a aplicação de um campo magnético. Outras células funcionalizadas com filmes multicomponentes contendo partículas fluorescentes e nanobastões de ouro podem auxiliar no diagnóstico e tratamento de câncer, por exemplo", diz Vasconcellos.
"A técnica LbL é simples e versátil, e por ser desenvolvida a partir de soluções à base de água, é de baixo custo, tendo potencial para inúmeras aplicações em áreas de engenharia, medicina, biologia, química, energia e novos materiais", afirmou Vasconcellos.
Linfócitos
Linfócitos são células do sistema imunológico adaptativo capazes de identificar agentes patogênicos. Vasconcellos utilizou os biopolímeros quitosana e ácido hialurônico para produzir o filme multicamadas para a imobilização dos linfócitos.
O ácido hialurônico se liga ao receptor celular (CD-44) presente na superfície dos linfócitos, sem a necessidade de reações químicas agressivas.
Por outro lado, a quitosana tem a propriedade de produzir superfícies antibacterianas.
Assim, os filmes contendo ácido hialurônico e quitosana servem a dois propósitos: o de imobilizar linfócitos e o de evitar contaminação bacteriana. Uma característica extremamente interessante da adesão que ocorre entre a célula e o filme é que a célula permanece com suas funções preservadas.