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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Dores na coluna podem ser sinais de "postura pobre"



Dores nas costas, dores de cabeça frequentes e tensão muscular são alguns dos sintomas que atingem várias pessoas depois de um dia longo de trabalho e estudos. Mas o que muitos desconhecem é que esses incômodos podem ser resultados de uma postura pobre. Causada por fraqueza muscular crônica generalizada, que é resultado do sedentarismo da maioria da população.

"Desde cedo devemos cuidar dos nossos músculos. Fortalecendo-os para que nosso envelhecimento seja o mais saudável possível. Como o metabolismo corporal funciona bem quando a musculatura está bem, nunca devemos nos esquecer de pelo menos, três a quatro vezes por semana praticar uma atividade que nos traga tônus muscular. É como escovar os dentes, ou seja, manter a musculatura forte é fundamental para nossa qualidade de vida na velhice", afirma o ortopedista Vicente Carlos Franco Macedo, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia - SBOT.

O especialista conta ainda que a educação postural começa na infância. "É só lembrar o que fazíamos naquela época. Corríamos, brincávamos e etc. A musculatura estava em constante fortalecimento. Já na vida adulta paramos tudo." diz.

Nos adultos, alguns cuidados podem prevenir futuros desconfortos na coluna. "As pessoas precisam adaptar a musculatura ao local de trabalho. Manter uma boa postura e a cadeira, por exemplo, precisa ter altura adequada para que os pés se apóiem no solo e o encosto deve acompanhar a altura das costas", explica.

Um dos objetos de trabalho, vilões da má postura são os equipamentos portáteis, como os notebooks e celulares que podem ser usados em qualquer lugar, sem uma postura adequada.

Mas as dores na coluna, não são consequências apenas de quem trabalha. Os jovens que passam um longo tempo na escola ou em casa estudando também sofrem com o problema. "Passar longas horas sentados nas cadeiras de escolas, ou estudando deitado ou no sofá, nos jovens não causam apenas dores posturais, podendo evoluir até para casos mais sérios como desvios na coluna em pessoas que ainda estão em fase de crescimento", conta o médico.

O cuidado com a postura deve se estender também nos horários de lazer. "As pessoas que sofrem com as dores posturais, precisam procurar um especialista para diagnosticar a atividade adequada para ela, além de fazer uma reeducação postural. O simples ato de levantar, a cada 40 minutos, para descansar o corpo da posição em que estava já ajuda a reduzir futuras dores", diz. 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Pesquisa canadense descobre composto eficaz para aliviar a dor crônica

Substância atua direto no cérebro; testes in vitro e em animais têm resultados promissores

Um composto capaz de diminuir a dor crônica poderá melhorar as condições de vida de milhões de pessoas em todo o mundo. A nova substância - batizada de NB001 - é descrita em um trabalho publicado na última edição da Science Translational Medicine. Há poucos analgésicos no mercado voltados especificamente para a dor crônica. Quase todos atuam sobre a dor aguda.

Uma pesquisa divulgada no ano passado apontou que cerca de 29% dos habitantes de São Paulo sofrem com dor crônica. Calcula-se que, nos Estados Unidos, 65 milhões de pessoas também enfrentam o mal. Especialistas explicam que o processo neurofisiológico da dor crônica é diferente dos mecanismos que provocam o tipo agudo.

De um modo geral, quando o estímulo doloroso cessa, a dor aguda desaparece. Ela desempenha, assim, um importante papel: faz com que a pessoa proteja o órgão ou o tecido afetado e informa o corpo que há algo errado.

A dor crônica, no entanto, permanece quando o estímulo já desapareceu, como uma memória persistente - e incômoda - do evento que causou a dor. Ao contrário da forma aguda, não traz benefícios. Só sofrimento.

Estudos anteriores haviam comprovado as diferenças bioquímicas entre os dois processos, e cientistas procuravam um modo de interferir apenas na dor crônica. Descobriram então a enzima AC1, que comprovadamente participa da gênese da dor crônica em uma região do cérebro conhecida como córtex cingulado anterior. O próximo passo foi a busca de uma substância capaz de inibir a ação da AC1. Cientistas do Canadá chegaram a vários compostos. O mais eficaz foi o NB001, testado em colônias de células neuronais e em camundongos com dor crônica.

Em entrevista ao Estado, Min Zhuo, professor da Universidade de Toronto, afirmou que pretende iniciar os testes em humanos em cinco anos. Mas, para isso, precisa estabelecer parcerias com indústrias farmacêuticas.

A Science Translational Medicine também publicou uma análise crítica sobre a descoberta. Assinam dois pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco. Eles questionam se o NB001 não inibiria o funcionamento da enzima AC1 no hipocampo, prejudicando processos como a memorização. Ao Estado, Zhuo argumentou que, nos testes realizados com animais, não houve nenhum impacto na memória dos camundongos.

O problema

A dor crônica faz com que muitas pessoas permaneçam inativas, evitando exercícios físicos e o convívio social. O neurocirurgião Manoel Jacobsen Teixeira, da USP, destaca que é preciso lutar contra essa tendência. “Senão, forma-se um ciclo vicioso. A dor gera inatividade, e a inatividade prolonga a dor”, afirma Teixeira. “A pessoa precisa sair e praticar exercícios: isso alivia a dor crônica.”

A anestesiologista Fabiola Minson, diretora da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), também aponta a conveniência de procurar um médico especialista em dor. O aposentado Sérgio Casarini, de 64 anos, passou por três profissionais de diferentes especialidades e reclamou da dor que sentia na planta dos pés, fruto de uma neuropatia causada pela diabete.

O problema só foi resolvido quando chegou a um quarto médico, especializado no alívio da dor. “Ia à praia e não conseguia pisar na areia, de tanta dor. Ficava com os pés levantados”, conta. “No mês passado, com o tratamento adequado, voltei à areia."

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Aplicações de botox diminuem dores de cabeça; livro explica como técnica funciona

Neurologistas falam sobre causas e tratamentos da dor de cabeça
Neurologistas falam sobre causas e tratamentos da dor de cabeça

Dois neurologistas com mais de 40 anos de experiência no tratamento de pacientes com problemas de dores encefálicas se uniram para escrever "A Cura da Dor de Cabeça".

No livro, eles mostram os gatilhos que normalmente desencadeiam as crises de dor de cabeça e dão ao leitor o conhecimento e as ferramentas adequadas para lidar com esse incômodo e se livrar dele. A obra ainda explica melhor o funcionamento do corpo humano, como a rotina pode gerar uma crise, quais são as medicações e tratamentos disponíveis e as novas conquistas da medicina para acabar com esse mal que afeta milhões de pessoas no mundo inteiro.

Leia abaixo um trecho extraído do livro que fala sobre os tratamentos com botox.

*Botox: uma nova droga biológica contra a dor

Há algum tempo, o Botox deixou de ser apenas uma droga utilizada com finalidades cosméticas, por estrelas de cinema e políticos de meia-idade, ou outras pessoas que quisessem se livrar das marcas de expressão em seus rostos. Como disse um médico: "agora utilizamos o Botox contra o sofrimento, e não contra o envelhecimento". Muitos médicos vêm utilizando a terapia com o Botox para tratar de uma grande variedade de dores que acometem os seus pacientes; inclusive as dores de cabeça crônicas e muito intensas. Obtivemos grande sucesso ao utilizarmos o Botox no tratamento de vários dos nossos pacientes, e estamos muito impressionados com os resultados.

Como o Botox funciona?

Especialistas discordam sobre como, especificamente, o Botox funciona. Sabe-se que ele bloqueia a produção de acetilcolina, uma substância neuroquímica necessária para a contração muscular, e certos especialistas acreditam que refrear a produção de acetilcolina seja a chave para a redução ou a eliminação da dor. O Botox também inibe a produção de outras substâncias responsáveis pelos processos da dor, tais como a "substância P", o glutamato e a calcitonina peptídica relacionada aos genes - neuroquímicos associados à geração da dor.

Alguns especialistas afirmam que o relaxamento dos músculos resultante de uma injeção de Botox melhora a circula sangüiínea na região afetada, permitindo que as enforfinas - anestésicos naturais produzidos pelo organismo - proporcionem alívio subseqüentemente. Talvez seja esse o mecanismo através do qual o Botox funcione. Porém, para a maioria dos pacientes, não importa muito como o Botox finciona; baste saber que, de fato, ele funciona.

Benefícios da terapia com Botox

Se as injeções de Botox funcionarem para o seu caso, o primeiro benefício que irão lhe proporcionar é uma diminuição na quantidade de suas crises de dor de cabeça, e aquelas que você ainda vier a sofrer, durante o tratamento, serão menos intensas.

Outra vantagem é que você pode receber as injeções no próprio consultório do seu médico, em vez de precisar ir a um hospital ou centro cirúrgico - o que é necessário quando você tem de se submeter a um bloqueio dos nervos ou a outros procedimentos utilizados para tratar de dores crônicas na cabeça ou no pescoço.

Mais um benefício: você, provavelmente, poderá reduzir a quantidade de medicamentos que costuma tomar, e, uma vez que todo medicamento tem efeitos colaterais, você também estará livre deles - o que é uma notícia especialmente boa, se você estiver tomando narcóticos.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Dor crônica Gene pode está relacionado com a hereditariedade.


Cerca de um terço dos indivíduos apresentará algum tipo de dor crônica durante a vida. À medida em que aumenta a expectativa de vida, cresce o número de pessoas com dores na coluna, articulações, doenças reumáticas, câncer, degenerações ou inflamações nos órgãos internos e outros problemas relacionados ou que podem provocar dores crônicas.

Dor crônica é uma doença debilitante com consequências nefastas para a condição física, psicológica e comportamentais. Seus portadores desenvolvem depressão, deficiências psicomotoras, lembranças e sensações de perda que muitas vezes guardam pouca relação com o quadro doloroso. 

Tais sintomas costumam ser interpretados como característicos de enfermidades psíquicas, quando na verdade refletem apenas a semelhança que existe entre a dor e a memória. 

Pesquisadores de diversos países descobriram o primeiro gene ligado à dor crônica. Depois da descoberta, mais de 500 outros genes relacionados à dor crônica ainda precisam ser estudados. 

O gene, chamado Alfa-2-Beta-3, foi identificado na drosófila, a mosca de fruta. Depois, foi estudado em ratos e, finalmente, analisado em humanos. O resultado da pesquisa confirma algo que já se cogitava anos atrás: a importância das diferenças genéticas na forma como o cérebro processa a dor crônica. 

Estudos feitos com gêmeos, por exemplo, mostraram que cerca de 50% das variações na sensibilidade à dor são hereditárias. Até variações pequenas no Alfa-2-Beta-3 mostraram uma grande diferença no nível da dor sentida pelos indivíduos, seja ela provocada por queimaduras ou por problemas crônicos na coluna, por exemplo. 

Isso ocorre porque o gene regula a passagem de partículas de cálcio pela membrana das células. Essas partículas são essenciais para controlar a transmissão, pelos neurônios, dos sinais da dor até o cérebro. 

A partir dos dados revelados pelo estudo, novos analgésicos, muito mais eficazes do que os atuais, poderão ser desenvolvidos à medida em que a medicina entenda cada vez mais como a dor é transmitida pelas células nervosas para o cérebro. Isso é um grande avanço. Até há pouco tempo, era recorrente a ideia, principalmente entre os profissionais de enfermagem, de que o paciente deveria tolerar a dor para evitar o excesso de medicamentos que poderia torná-lo dependente – a maioria deles feita a partir de derivados do ópio, como a morfina. 

No Brasil, de 50% a 60% das pessoas que sentem dores crônicas se tornam parcial ou totalmente incapacitadas para o trabalho e um em cada cinco acaba largando o emprego. 

Quais são as regiões ou orgão do corpo onde, principlamente, ocorre a dor ?
  • 70% são de origem esquelética-muscular;
  • 20% são de origem neuropáticas;
  • 10% são causadas por cânceres.

Quais são as dores que mais afetam os brasileiros? 
  • Epigastralgias e outras dores abdominais;
  • Disúria (ao urinar);
  • Cefaleias (cabeça);
  • Artralgias (articulações);
  • Lombalgias (costas);
  • Torácica;
  • Nos membros.