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terça-feira, 19 de abril de 2011

Dois grupos brasileiros trabalham na vacina contra a dengue

Três pesquisas acenam com a possibilidade de criação de vacinas contra os quatro tipos de dengue no Brasil, que poderão ser usadas no programa de imunização do Ministério da Saúde.
O desenvolvimento das vacinas segue critérios internacionais de homologação de produtos farmacêuticos para uso humano, com três fases de testes de segurança e eficácia comprovada em amostras consecutivas.
A pesquisa mais adiantada é a do laboratório francês Sanofi Pasteur, que está na segunda fase de estudos clínicos. Os testes ocorrem no Brasil, Peru, na Colômbia, em Honduras, no México, em Porto Rico, Cingapura, nas Filipinas, na Tailândia e no Vietnã.
Em todo mundo, mais de 4 mil pessoas receberam uma ou mais doses da vacina.
No Brasil, o estudo clínico é feito desde agosto do ano passado pelo Núcleo de Doenças Infectocontagiosas da Universidade Federal do Espírito Santo, com um grupo de 150 crianças e adolescentes de 9 a 16 anos.
A vacina em teste é ministrada em três doses e o estudo tem a duração de 18 meses. A perspectiva da comunidade científica é que a vacina esteja disponível daqui a cinco anos, após registro na Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Vacina brasileira contra a dengue
O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos Bio-Manguinhos, ligado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro; e o Instituto Butantan, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, também fazem pesquisas para criação de uma vacina contra a dengue. Se conseguirem desenvolver as vacinas, as patentes serão nacionais.
De acordo com o diretor médico de ensaios clínicos do Instituto Butantan, Alexander Roberto Precioso, a primeira fase de estudos clínicos terá início no segundo semestre, com pessoas adultas que não sofram de diabetes, nem de hipertensão e que não tenham problemas nos pulmões ou no coração, bem como nunca tenham tido dengue, nem febre amarela.
"O objetivo principal é demonstrar a segurança da vacina", afirma Precioso. De acordo com ele, a vacina foi testada em macacos, nos Estados Unidos. A patente da vacina testada foi cedida com exclusividade para o Butantan pelos Institutos Nacionais de Saúde (National Institutes of Health - NIH).
Já em Bio-Manguinhos, duas vacinas estão sendo desenvolvidas. A primeira experiência, exclusiva, é uma vacina recombinante feita a partir do vírus da febre amarela e do vírus da dengue. A outra tentativa, mais adiantada, é feita em parceria com o laboratório belga GlaxoSmithKline. Essa vacina está em estágio pré-clínico, de testes em animais.
Segundo a bióloga Helena Caride, que gerencia os projetos de desenvolvimento tecnológico das vacinas em Bio-Manguinhos, a intenção é fazer uma vacina que só exija duas aplicações em intervalo mais curto do que o da vacina em teste pela Sanofi Pasteur.
Prevenção
Helena lembra que o desenvolvimento de vacinas contra a dengue no Brasil não permite descuidar do combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus.
"Ainda temos um caminho bastante longo para ter essa vacina no mercado e não sabemos como essa vacina vai se comportar. É muito importante continuar batalhando no combate ao mosquito vetor", ressalta Helena, ao lembrar que "só a ciência de ponta não consegue fazer sozinha.
O saneamento básico é fundamental. Questões de cultura e educação no Brasil também são fundamentais para melhorar a saúde pública."

Plantas transgênicas criam medicamentos e vacina contra dengue

Feijão e alface contra a dengue
Duas pesquisas desenvolvidas no Brasil buscam a produção de medicamentos para diagnóstico e imunização da população contra os quatro tipos de dengue a partir da modificação genética de plantas.
Na Universidade Estadual do Ceará, o Laboratório de Bioquímica Humana usa o feijão de corda para produzir a proteína do vírus da dengue e obter a vacina.
Na Universidade de Brasília (UnB), o Departamento de Biologia Celular tenta produzir uma parte do vírus da dengue com alface e criar um reagente para detectar a doença.
Alface transgênica
A intenção dos pesquisadores da UnB é montar um kit para diagnóstico que seja mais barato do que o de origem animal (camundongo) e que o Brasil precisa importar parte da Austrália.
O kit terá um reagente produzido com alface na qual foi injetado o gene do vírus da dengue.
A alface transgênica produzirá uma partícula viral defeituosa que será aproveitada em reagente, a ser misturado ao sangue coletado. Conforme a reação, o medicamento indicará se o paciente está com os anticorpos do vírus da dengue.
Segundo o pesquisador Tatsuya Nagata, a alface é mais eficiente do que bactérias e leveduras tradicionalmente usadas na produção de vacinas. "Bactérias e leveduras têm um sistema celular mais primitivo do que o da alface. O sistema celular da planta é mais próximo do dos seres humanos", diz.
Nagata afirma que há vantagens em usar um vegetal em vez de reagentes extraídos diretamente de animais. Primeiro, é o fato de, não usando animais na pesquisa, não ter de sacrificá-los. A outra vantagem é que os técnicos de laboratório não correm risco de contaminação no momento de aplicar a injeção nos camundongos.
A pesquisa com reagentes ainda tem ainda dois anos de prazo, e os insumos serão testados em sangue infectado pela dengue e já armazenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). As alfaces geneticamente modificadas são mantidas em local seguro e separado. Nagata não descarta a hipótese que, no futuro, a própria alface possa ser utilizada como vacina. "A metodologia está sugerindo isso, mas [a ideia] ainda não é aceita pelos especialistas em vacinação,porque a dosagem tem que ser corretamente medida."
Feijão de corda transgênico
No caso do feijão de corda, o propósito é retirar, diretamente da planta, a proteína para a vacina.
"Nós inserimos em um vetor os genes que produzem a proteína E do envelope dos quatro sorotipos do vírus da dengue. Em seguida, os introduzimos dentro das células da planta", explica a a bioquímica Maria Izabel Florindo Guedes, responsável pela pesquisa na Universidade Estadual do Ceará.
De acordo com Maria Izabel, à medida que as plantas crescem, as proteínas do vírus da dengue vão se multiplicando. É como se a planta se transformasse em uma biofábrica de grandes quantidades de proteínas do vírus da dengue. Após alguns dias, as plantas são coletadas, trituradas e as proteínas do vírus são extraídas (purificadas), acrescentou a bioquímica.
Segundo ela, as proteínas "candidatas vacinais" já foram usadas na imunização de camundongos. "Os resultados obtidos até o momento mostram que, devido aos altos títulos de anticorpos induzidos pelas proteínas heterólogas [compostas] produzidas em plantas, a proposta é viável e poderá abrir perspectivas para a produção da primeira vacina eficaz e de baixo custo contra a dengue."
Como se trata de um medicamento para imunização de pessoas, a vacina extraída do feijão de corda geneticamente modificado ainda passará por extenso estudo clínico, que ainda não tem previsão para começar, informa a pesquisadora responsável. Para ser usado no Brasil, todo medicamento tem de ser registrado na Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa).

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Especialistas alertam para sintomas da dengue "camuflados" em crianças

Febre, dores no corpo e indisposição. Os sintomas da dengue podem ser facilmente confundidos, em crianças, com os de uma gripe. No entanto, o Ministério da Saúde alerta para a possibilidade de ser a doença transmitida pelo Aedes aegypti.


Segundo especialistas, os sintomas da dengue podem ser facilmente "camuflados" no caso dos pequenos, o que leva à demora no tratamento.

Profissionais de saúde e pais devem estar atentos aos sinais da doença, alerta o secretário de Vigilância à Saúde, Jarbas Barbosa.

"Se a família percebe que a criança apresenta esse quadro de vômito continuado e de dor abdominal, tem que ser levada urgentemente ao serviço de saúde, porque ela pode estar fazendo uma forma grave de dengue que pode evoluir para um caso grave e, em poucas horas, até matar", diz.

A dengue pode ser mais perigosa ainda nos bebês, pois a evolução do quadro é súbita. Neste caso, os pais devem ficar alertas aos choros persistentes e à irritabilidade.

Casos

Uma jovem de 19 anos morreu vítima de dengue hemorrágica no Rio, neste fim de semana. Ela foi internada sábado (2) no hospital Barra D'Or, mas não resistiu e morreu pouco depois.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que mapeou mais de 11 mil possíveis focos do mosquito Aedes aegypti durante a realização da Caminhada contra a Dengue. Foram identificados no total 11.354 criadouros do mosquito transmissor da dengue.

Desde o começo deste ano, 31 mil casos de dengue foram registrados no Estado, e mais de 20 pessoas morreram.

São Paulo

O governo de São Paulo confirmou nesta segunda-feira (4) o primeiro caso de dengue tipo 4 no Estado. Agora, a preocupação da Secretaria de Saúde é com a circulação desse novo vírus em 2012.

O vírus tipo 4 não é mais agressivo do que os outros três, mas aumenta o risco de epidemia porque menos pessoas estão imunizadas contra ele.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Por um Rio sem dengue

Larvas do Aedes aegypti: na fase adulta, o mosquito passa a  infectar. Registros de dengue chegam a 11.444 no Rio, em 2011
Considerada uma doença negligenciada, típica de países tropicais em desenvolvimento, a dengue é uma questão de saúde pública que exige cautela constante. A Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio divulgou na terça-feira, 29 de março, que a cidade já registra 11.444 casos de dengue desde o início de 2011. Dentro desse total, foi confirmado em apenas 24 horas, da segunda, 28 de março, para a terça, 29, o surgimento de mais 813 casos em todo o município. Para ajudar a reverter esse quadro, pesquisadores e autoridades governamentais empenham-se no combate à doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, seja por meio de estudos científicos ou da promoção de campanhas para a conscientização da população e eliminação dos focos do vetor. 


No âmbito da pesquisa, o professor Amilcar Tanuri, chefe do Laboratório de Virologia Molecular do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), dedica-se ao desenvolvimento de uma droga capaz de impedir a replicação do vírus da dengue dentro das células do organismo da pessoa infectada. Ele conseguiu sintetizar, em parceria com pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), uma substância que inibe duas enzimas produzidas pelo vírus da dengue ao infectar uma célula: a replicase e a protease, fundamentais para a replicação viral. 

O projeto foi contemplado pela FAPERJ com o edital Estudo de Doenças Negligenciadas e com o Programa de Apoio aos Núcleos de Excelência (Pronex - Rede Dengue), uma rede nacional de pesquisas pioneira no Brasil que reúne esforços acadêmicos para o diagnóstico rápido, o controle e o tratamento da doença. Esta foi criada em 2009, a partir de uma ação conjunta do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); do Ministério da Saúde, por intermédio do Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (Decit); da FAPERJ e das fundações de amparo à pesquisa dos estados Alagoas (Fapeal); da Bahia (Fapesb); do Ceará (Funcap); do Distrito Federal (FAPDF); do Espírito Santo ( Fapes); de Goiás (Fapeg); do Maranhão (Fapema); de Mato Grosso (Fapemat); Mato Grosso do Sul (Fundect); de Minas Gerais (Fapemig); do Pará (Fapespa); do Paraná (FAADCT); de Pernambuco (Facepe); do Piauí (Fapepi); Rio Grande do Norte (Fapern); do Rio Grande do Sul (Fapergs); de São Paulo (Fapesp); e de Sergipe (Fapitec/SE).

A substância pode ser a base para o desenvolvimento de uma nova droga antiviral que, no futuro, pode representar uma importante arma no tratamento de pessoas infectadas, por bloquear as enzimas intimamente relacionadas com a replicação do vírus da dengue no corpo do paciente, cortando o mal pela raiz. “Ao impedir a replicação do vírus, seria possível baixar a quantidade viral no organismo do doente e tornar mais brandos os sintomas da dengue, impedindo que eles evoluam para quadros mais graves, como a dengue hemorrágica”, explica Tanuri, que não descarta que a substância também possa ser utilizada como base para a criação de vacinas, que podem ser uma arma preventiva da dengue durante os surtos epidêmicos. “O remédio poderia reduzir os efeitos de novas epidemias da doença no Brasil, que até então não apresenta nenhuma vacina aprovada ou uma terapia antiviral efetiva”, destaca.

O estudo, em curso há três anos, está em fase de testes preliminares. A nova substância ainda não foi submetida a testes clínicos, em humanos, mas foi sintetizada quimicamente depois de um trabalho minucioso. “Rastreamos mais de 850 moléculas e chegamos a duas moléculas interessantes. Uma é capaz de inibir a protease viral, ligada à maturação do vírus dentro das células, e a outra é capaz de inibir a replicase do vírus, relacionada diretamente à replicação dele”, conta. De acordo com Tanuri, ela apresentou resultados animadores em testes laboratoriais realizados com células humanas e com células extraídas de macacos, in vitro. “Confirmamos a capacidade da droga de inibir o papel das enzimas ligadas à replicação do vírus da dengue, que foi isolado em um tubo de ensaio. Também houve resultados positivos em experimentos com células do fígado humano e com células de macacos, ambas infectadas com o vírus da dengue”, resume. 

Para o professor, a grande vantagem da nova tecnologia para a produção da droga seria a capacidade dela atuar sobre todos os quatro sorotipos da dengue – tipo 1 (DEN1), tipo 2 (DEN2), tipo 3 (DEN3) e tipo 4 (DEN4). Atualmente, há uma dificuldade técnica para o desenvolvimento de uma vacina ou um tratamento que seja igualmente ativo para os diversos sorotipos. “A ideia de impedir a replicação do vírus na célula do paciente infectado é uma estratégia importante porque pode, na verdade, permitir o desenvolvimento de uma droga que iniba os quatro sorotipos da dengue”, ressalta. “É o inicio de um conceito de que pode haver uma droga que iniba o vírus da dengue”, completa.

O próximo passo da pesquisa é aprimorar os compostos inibidores das enzimas virais da dengue para que eles possam ser utilizados com segurança em testes clínicos, realizados em humanos. “Esperamos que nos próximos três anos estejamos em fase de testes clínicos e possamos fechar parcerias para inserir o produto no mercado”, diz Tanuri. No momento, o objetivo é sintetizar variantes desses compostos químicos que sejam menos tóxicas ao organismo infectado. “Estudamos como minimizar a toxicidade da droga para que ela tenha efeitos apenas sobre o vírus da dengue e não afete as células infectadas”, explica o professor, lembrando que o pedido de patente da droga já foi depositado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Entre os pesquisadores envolvidos no projeto estão o professor Vitor Ferreira, Estela M. F. Muri, Maria Cecilia B. V. de Souza, Helena de Souza Pereira, Sergio Pinheiro e Ana Claudia Cunha, todos da Universidade Federal Fluminense (UFF), além dos professores Luciana Jesus da Costa, Rodrigo de Moraes Brindeiro, Luciana de Barros Arruda Hinds, Davis Fernandes Ferreira, Joaquim Fernando Mendes da Silva, Lúcia Cruz de Sequeira Aguiar Rodrigo Souza e Orlando da Costa Ferreira Junior, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Campanha propõe dez minutos semanais contra a dengue


 Campanha "10 minutos contra Dengue" na Praia do Leme: população observou no microscópio exemplares do mosquito
Além dos estudos laboratoriais sobre a dengue, ações práticas que estimulem a mobilização da população para o combate da doença são fundamentais. Nesse sentido, a campanha “10 minutos contra Dengue” foi lançada no sábado passado, 26 de março, no Morro da Babilônia/Chapéu Mangueira e na Praia do Leme, na Zona Sul do Rio, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância de eliminar os focos domésticos do mosquito Aedes aegypti. A campanha é um desdobramento do edital Pronex – Dengue, do CNPq e da FAPERJ, e vem sendo articulada por uma parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (Sesdec). 


“A ideia central é mobilizar as pessoas para investirem dez minutos do seu tempo, toda semana, eliminando potenciais criadouros do mosquito em suas casas”, explica o professor e bioquímico Marcos Sorgine, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, que coordena a iniciativa junto com a professora Denise Valle, do Laboratório de Fisiologia e Controle de Artrópodes Vetores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). A inspiração surgiu de uma campanha de mobilização contra a dengue em Cingapura, que contribuiu bastante para o controle de uma grande epidemia nesse país asiático, em 2004/2005. “O ciclo de vida do mosquito, desde o ovo até a fase adulta, leva dez dias. Se uma vez por semana os criadouros domésticos forem eliminados, será o suficiente para interromper o ciclo do mosquito, que só faz vítimas na fase adulta”, justifica.

Durante a ação no Morro da Babilônia/Chapéu Mangueira, agentes de saúde e 150 bombeiros treinados para atender a população visitaram os moradores e ajudaram a população a reconhecer e eliminar possíveis focos do mosquito nos seus imóveis. “A população recebeu fôlderes elaborados especialmente para a campanha, que destacam treze pontos estratégicos do ambiente doméstico que devem ser checados semanalmente, em apenas dez minutos, para eliminar os focos do mosquito”, diz Sorgine. A ideia é dar continuidade às visitas. “A expectativa é que os bombeiros e agentes de saúde retornem a essas comunidades daqui a umas 10 semanas, para verificar o engajamento da população na campanha. Um dos pontos centrais da iniciativa é justamente ressaltar o papel que a população pode e deve ter no controle da doença”, adianta.

Já no estande montado na Praia do Leme, pesquisadores, entomologistas e estudantes distribuíram informativos para a população e ainda exibiram larvas, ovos e mosquitos adultos. Outra atração foi o Portal da Dengue (www.ioc.fiocruz.br/dengue ), elaborado pela Fiocruz para a campanha, que os visitantes puderam acessar a partir de computadores conectados à Internet durante a ação. “O hotsite reúne informações completas sobre a doença, em uma linguagem acessível para esclarecer toda a população”, conclui Sorgine.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Brasileiros têm baixa imunidade contra dengue tipo 4

Falta de proteção
Depois da confirmação de casos de dengue tipo 4 em mais três estados na última semana, especialistas mostram preocupação pelo fato da maior parte dos brasileiros não ter imunidade contra esse tipo de vírus, o que aumenta as chances de casos graves da doença.
De acordo com o infectologista Celso Granato, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o vírus tipo 4 não é mais perigoso ou letal em relação às outras variações (1,2 ou 3).
Os sintomas são idênticos - dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, febre, diarreia e vômito, assim como o tratamento.
No entanto, esse sorotipo não circulava há pelo menos 28 anos no Brasil e a maioria da população não teve contato com ele, por isso está desprotegida.
Imunidade contra dengue
Quando uma pessoa contrai um tipo de dengue cria imunidade a esse vírus, porém pode ser infectado pelos outros tipos. Por exemplo, quem teve dengue tipo 1, pode ter dengue tipo 2, 3 ou 4. A cada vez que indivíduo é infectado, maior a possibilidade de contrair a forma grave, como dengue hemorrágica.
"Uma parcela da população poderá ter dengue pela segunda vez, pela terceira vez [por causa do sorotipo viral 4]. O vírus não é pior, mas a população está suscetível. A maioria está experimentada para os tipos 1 e 3", disse Celso Granato.
O último levantamento do Ministério da Saúde revelou que a maioria das vítimas de dengue no país é infectada pelo tipo 1. Das 1.856 amostras de sangue analisadas, 81,8% deram positivo para esse sorotipo.
A dengue 4 apareceu em 5,4% das análises, apenas para os estados de Roraima, do Amazonas e do Pará.
Falta de imunidade
A falta de imunidade ao vírus eleva as chances de uma epidemia de dengue 4 no Brasil. Para o infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Edmilson Migowski, o aumento de casos da doença não deve ser imediato. Ele prevê que o efeito deve ser sentido no verão de 2012.
"Se nada for feito para o controle do mosquito, podemos ter um cenário drástico no verão de 2012. A epidemia tipo 4 não poupará ninguém", alerta o especialista.
O Ministério da Saúde reconhece a possibilidade de mais casos graves da doença por causa do sorotipo viral 4. Até o momento, não há epidemia em nenhum estado associada à dengue 4.
De acordo com o órgão, países da América Latina e do Caribe, onde há circulação do vírus, também não registraram epidemias provocadas pelo vírus. Como precaução, o governo federal recomenda às secretarias estaduais e municipais o reforço nas ações de controle do mosquito transmissor, Aedes aegypti, para evitar novos casos.
"A orientação é para que sejam aplicadas medidas de contenção, com aplicação de larvicidas e inseticidas nos bairros das cidades com confirmação de casos, e visitas de agentes comunitários de saúde em 100% dos domicílios com casos suspeitos e confirmados de Dengue-4. Além disso, intensificar ações de eliminação de criadouros, limpeza urbana e busca ativa de novos casos suspeitos", informou o ministério.
Notificação de dengue 4
Desde o início do ano, o ministério tornou obrigatória a notificação dos casos de dengue 4.
No total, foram 51 casos espalhados pelos seguintes estados: Roraima (18), Amazonas (17), Pará (11), Rio de Janeiro (dois), Bahia (dois) e Piauí (um), conforme dados das secretarias estaduais de Saúde.
As primeiras notificações ocorreram em Roraima, a partir de julho do ano passado, por onde o vírus reingressou no país proveniente da Venezuela, segundo especialistas. Os registros mais recentes foram na Bahia e no Rio de Janeiro.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Entenda por que o tipo 4 do vírus da dengue preocupa os médicos

Variação não é mais nem menos perigosa que as demais. Entrada de um novo tipo de vírus aumenta o risco de contágio.

O avanço do vírus tipo 4 da dengue pelo Brasil é uma ameaça à saúde pública. Não pelo vírus em si, que não é mais nem menos perigoso que os tipos 1, 2 e 3, mas pela entrada em ação de mais uma variação do microorganismo, de acordo com médicos ouvidos pelo G1.

“Em termos de classificação, estamos falando do mesmo tipo de vírus, com quatro variações”, explica Marcelo Litvoc, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. “Do ponto de vista clínico, são absolutamente iguais, vão gerar o mesmo quadro”, esclarece o médico.


A explicação do problema provocado pelo vírus 4 está no sistema imunológico do corpo humano. Quem já teve dengue causada por um tipo do vírus não registra um novo episódio da doença com o mesmo tipo. Ou seja, quem já teve dengue devido ao tipo 1 só pode ter novamente se ela for causada pelos tipos 2, 3 ou 4.

“Quanto mais vírus existirem, maior a probabilidade de haver uma infecção”, resume Caio Rosenthal, infectologista e consultor do programa Bem Estar, da TV Globo. Se houvesse só um tipo de vírus, ninguém poderia ter dengue duas vezes na vida.

A possibilidade da reincidência da doença é preocupante. Caso ocorra um segundo episódio da dengue, os sintomas se manifestam com mais severidade. “Existe certa sensibilização do sistema imunológico e ele dá uma resposta exacerbada”, afirma Litvoc.

Esta reação exagerada do sistema imunológico é um problema. Pode causar inflamações e, por isso, aumenta o risco de lesões nos vasos sanguíneos, o que levaria à dengue hemorrágica. Um terceiro episódio poderia ser ainda mais grave, e um quarto seria mais perigoso que o terceiro.
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quarta-feira, 23 de março de 2011

Dengue tipo 4 chega ao Nordeste; Bahia e Piauí registram três casos

Presença desse subtipo traz riscos de epidemias e casos graves da doença, pois a maioria da população nunca entrou em contato com o agente infeccioso; na capital do Rio, dengue cresce no primeiro trimestre 1.468% em relação ao mesmo período de 2010

Salvador (BA) e Teresina (PI) informaram o registro de três casos de dengue tipo 4, os primeiros na Região Nordeste. Até então, o vírus estava restrito à Região Norte, nos Estados de Roraima, Amazonas e Pará, no ano passado e em 2011.

A presença do agente infeccioso - que traz risco de epidemias e casos graves da doença, pois a maioria dos brasileiros não entrou em contato com ele - voltou a ser observada após 28 anos.

Na Bahia, as vítimas são dois homens, de 27 e 30 anos, moradores da periferia de Salvador. Eles foram atendidos antes do carnaval e se recuperam. Segundo a Secretaria de Saúde (Sesab), não foi identificado como o vírus chegou à capital, pois nenhum dos infectados viajou recentemente.

O registro da dengue tipo 4 colocou a Bahia em estado de alerta. "A entrada do sorotipo coloca o Estado sob risco de nova epidemia", afirmou o chefe de gabinete da Sesab, Washington Couto. Há também o risco de que surjam muitos casos da forma mais grave da doença, a dengue hemorrágica, que em geral acomete quem já foi infectado por outro sorotipo do vírus.

E há temor de que se repita a situação de 2009, quando 123,6 mil pessoas foram infectadas e 67 morreram por causa do avanço do sorotipo 2. No Estado, predomina o tipo 1 do vírus e a estação chuvosa coincide com o outono e o inverno, quando a doença se alastra com rapidez.

Segundo a Vigilância Epidemiológica do Estado, 198 dos 417 municípios baianos correm risco "alto" ou "muito alto" de epidemia. A avaliação é feita com base nos índices de infestação predial do mosquito Aedes aegypti superiores a 1% - o máximo aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Neste ano, até o dia 12, foram notificados 9.584 casos suspeitos de dengue no Estado, número 17,9% menor que o registrado no mesmo período de 2010 (11.679). Três mortes causadas pela doença foram confirmadas pela Sesab: duas no sul do Estado (Jequié e Porto Seguro) e uma na região metropolitana de Salvador (Madre de Deus).

O Piauí também registrou o primeiro caso de dengue tipo 4. A sorologia de uma jovem de 17 anos que vive em Teresina foi confirmada pelo Laboratório Central do Ceará. Segundo boletim da coordenação de epidemiologia, o Estado tem 2.302 casos notificados no ano. Teresina e Piripiri lideram as infecções, com 842 e 517 casos, respectivamente. O número de casos é 18,8% maior que o registrado no mesmo período em 2010, mas houve queda de 32% em relação ao último boletim divulgado neste ano.

Rio. A capital do Rio também registrou aumento de casos em relação ao mesmo período de 2010. No primeiro trimestre de 2011 foram 8.315 casos - alta de 1.468%. Em 2010, foram notificados 3.120 casos na cidade.

Apesar do aumento de registros, a Secretaria Municipal de Saúde não classifica a situação como surto ou epidemia. O quadro mais grave é em Barra de Guaratiba, na zona oeste, onde a taxa de incidência é de 376,7 casos por 100 mil habitantes. O bairro Pedra de Guaratiba havia registrado taxa de 695,3 por 100 mil no mês passado, mas baixou para 178,1 por 100 mil em março. É considerado surto quando a taxa se mantém estável ou ascendente a partir de 300 casos por 100 mil habitantes. A secretaria informou que há tendência de redução no número de casos em março. A situação é reforçada com o encerramento do verão.

No Maranhão, a Vigilância Sanitária informou que voltou a registrar casos de dengue tipo 1, o que explicaria o aumento de 370% no número de casos no Estado em 2011 em relação a 2010. Até agora foram confirmados 2.797 casos, e a tendência é que haja aumento no volume de notificações até maio, quando termina o período chuvoso no Maranhão. 

PARA ENTENDER

1. O que é o DEN-4?

Um tipo do vírus da dengue que voltou a aparecer no Brasil no ano passado após ficar 28 anos sem registros.

2. Ele causa sintomas diferentes? 

Não. Os quatro sorotipos causam os mesmos sintomas.

3. Qual o motivo do alerta? 

A população brasileira não tem imunidade contra este sorotipo do vírus e há risco de epidemias caso ele se disperse. Além disso, a ocorrência de epidemias anteriores por outros sorotipos aumenta o risco de casos graves.

4. Como é o tratamento?
Não há tratamento. As medidas terapêuticas visam à manutenção do estado geral. Não devem ser usados derivados do ácido acetilsalicílico para a dor e a febre.