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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Nanotubos de carbono são bons para tecnologia, não para suas células

Nanotubos de carbono são bons para a tecnologia, não para você
A pesquisa mostrou que as nanopartículas de carbono não matam as células renais, elas afetam o seu funcionamento.



Nanopartículas nas células
Um estudo de toxicidade realizado por biólogos e médicos das universidades de Indiana e Purdue (EUA) concluiu que as nanopartículas de carbono podem ter efeitos danosos sobre as células vivas.
As nanopartículas de carbono - nanotubos e outros materiais de uma classe conhecida como fulerenos - têm uma importância crescente na eletrônica e mesmo na medicina.
Os pesquisadores estudaram exposições em concentrações dessas nanopartículas que simularam a exposição a um aparelho eletrônico que usa as nanopartículas em sua tecnologia, a morar perto de uma fábrica de nanopartículas de carbono e, finalmente, a trabalhar diretamente com elas.
Nanopartículas nos rins
O impacto sobre o corpo humano foi medido usando células do néfron renal, uma estrutura tubular dentro dos rins responsável pela produção da urina.
Os pesquisadores concluíram que a presença das nanopartículas de carbono nessa parte do corpo é significativa e preocupante, sobretudo porque é esta parte do organismo que seria responsável por eliminar o material estranho do corpo.
"Ao contrário de muitos outros estudos, nós usamos baixas concentrações de nanopartículas de carbono, que são típicas do que pode aparecer no corpo depois de ingeri-los por contaminação ambiental ou mesmo respirar ar com as nanopartículas," disse a Dra. Bonnie Blazer-Yost, coordenadora do estudo.
A pesquisa mostrou que as nanopartículas não matam as células, elas afetam o seu funcionamento.
Barreiras biológicas
"Descobrimos que essas partículas minúsculas causam vazamento no revestimento celular do néfron renal," explica a bióloga.
"O rompimento dessa barreira biológica nos preocupa porque as coisas que deveriam ser retidas na urina podem vazar de volta para a corrente sanguínea e as coisas no sangue podem vazar para a urina. Substâncias biológicas normais, assim como resíduos de produtos, são perigosos se forem onde não deveriam ir," completou.
As barreiras biológicas são importantes em todo o corpo humano, estando presentes na pele, nos pulmões, intestinos, rins, no cérebro etc. Sua quebra pode produzir impactos negativos, embora a pesquisa não tenha prosseguido em busca de eventuais efeitos danosos.
"Nós precisamos prosseguir o estudo para ver como as nanopartículas vão se comportar em outras partes do corpo, como elas podem afetar a expressão de proteínas, assim como o que acontece quando elas cruzam as barreiras biológicas," concluiu a pesquisadora.

Sensibilidade eletromagnética: as doenças da era tecnológica


Fumaça invisível
Os riscos à saúde da poluição eletromagnética da chamada tecnologia wireless parece estar seguindo o mesmo rumo do que ocorreu há mais de um século com o cigarro.
No início, "especialistas" anunciavam que o prejuízo do tabaco era pequeno demais, irrelevante, que as pessoas tinham "direito ao prazer", e outros "argumentos" bem documentados nos registros históricos.
Agora, os "especialistas", que dificilmente se identificam, defendem com ardor que "nada está provado" sobre os riscos causados por uma exposição excessiva a altas taxas de radiação eletromagnética - as ondas de rádio emitidas, entre outros, pelos celulares e pelas torres de telefonia celular.
Como, em outra época, os prejuízos do tabaco seriam "pequenos demais", agora é a potência das ondas de rádio que é "pequena demais" para afetar a saúde das pessoas.
Prazos curtos
De fato, ainda há poucos estudos na área e, sobretudo, estudos de longo prazo. O que é natural, porque a tecnologia tem um "curto prazo" de vida, não tendo havido ainda tempo para estudar seus efeitos a longo prazo.
Exatamente como acontecia com o cigarro - demora até algumas décadas para que o câncer de pulmão causado pelo fumo apareça.
Mas os primeiros estudos mostram alguns resultados preocupantes:
São igualmente preocupantes os efeitos da convivência das populações com as torres de alta tensão, outro elemento da poluição eletromagnética:
Política do avestruz
O elemento mais preocupante, contudo, é a constante declaração das autoridades de saúde de que não haveria "evidências" suficientes para qualquer ação.
Como se todas as autoridades de saúde não soubessem que as principais ações devem ser feitas na prevenção.
E "evidências", segundo os dicionários, são demonstrações irrecorríveis, que falam por si próprias - ora, então o que as autoridades de saúde querem aparentemente são mártires, pessoas que mostrem de forma irrecorrível que sofreram com o problema.
O que se espera das autoridades de saúde, atuantes na prevenção, é que elas tomem providências ante os primeiros "indícios" de que algo pode estar saindo em desacordo com o esperado.
No caso dos telefones celulares, e da radiação eletromagnética como um todo, a principal medida preventiva seria aceitar a discussão aberta sobre o tema, uma discussão que incorpore os fabricantes e os cientistas que desenvolvem as tecnologias.
Somente assim o mercado poderia ser dirigido para fabricar produtos que não se enquadrem nos fatores de risco que os primeiros estudos começam a levantar - uma potência elevada demais dos aparelhos portáteis, por exemplo.
Hipersensibilidade eletromagnética
Um campo de estudo privilegiado são as pessoas com hipersensibilidade eletromagnética, uma doença registrada em pequenos níveis em todas as partes do mundo mas que, estranhamente, ainda não é formalmente reconhecida pela Organização Mundial de Saúde - os casos são poucos, mas são em número muito mais elevado do que algumas síndromes genéticas há muito tempo reconhecidas.
Há até um local específico para estes estudos: a região de Green Bank, no Estado da Virgína (EUA), onde há uma enorme instalação de radiotelescópios. Como os equipamentos não podem sofrer interferências, a região foi declarada "zona livre de ondas de rádio".
Lá, nenhum telefone celular ou conexão sem fios à internet funciona.
Isso está transformando a área de 33 mil quilômetros quadrados em um verdadeiro ímã de atração para as pessoas com hipersensibilidade eletromagnética, que encontram lá um verdadeiro paraíso.
Síndrome neurológica
Foi essa situação privilegiada que atraiu também o professor Andrew Marino, da Universidade do Estado da Louisiana (EUA). Para ele, é necessário aceitar que os campos eletromagnéticos no ambiente podem produzir sintomas nos seres humanos.
Marino e sua equipe acabam de publicar um estudo no International Journal of Neuroscience, intitulado "Hipersensibilidade eletromagnética: Evidências de uma Nova Síndrome Neurológica".
O estudo demonstra, pela primeira vez, que existe uma relação entre as dores e as queimaduras na pele dos pacientes com hipersensibilidade eletromagnética e a frequência eletromagnética dos campos a que estão sujeitos.
"Em um procedimento duplo-cego EMF [campo eletromagnético] especificamente projetado para minimizar pistas sensoriais involuntárias, o sujeito [voluntário sendo estudado] desenvolveu dor temporal, dor de cabeça, espasmos musculares e aumento nos batimentos cardíacos 100 segundos após o início da exposição," conclui o estudo.
Orgulho científico
A esperança é que estudos como este quebrem o "orgulho acadêmico" da grande maioria dos cientistas, que ainda acreditam que demonstrar que a tecnologia pode afetar a saúde humana os coloca "contra a corrente" - e a maioria não quer encarar temas difíceis ou não tem a força necessária para enfrentar correntezas.
O que não deixa de ser espantoso é ter que convencer os cientistas disto, uma vez que todo o sistema nervoso humano, incluindo o cérebro, trabalha com correntes elétricas mínimas, o que torna o corpo humano altamente suscetível a campos eletromagnéticos externos, sobretudo se são campos magnéticos de alta potência.
Esses "cientistas do atraso", que pretensamente querem defender a tecnologia, já fariam um ótimo serviço à população se parassem de se contrapor a uma ideia sobre a qual são totalmente ignorantes, uma vez que se recusam a estudá-la.

New Insight Into Immune Tolerance Furthers Understanding of Autoimmune Disease

ScienceDaily (Sep. 15, 2011) — It is no easy task to preserve the delicate balance that allows us to maintain a strong immune system that can defend us from harmful pathogens, but that is sensitive enough to correctly identify and spare our own cells. Therefore, it is not surprising that the mechanisms that underlie immune activation and tolerance are not completely understood. Now, a new research study published by Cell Press in the journal Immunity and available online on Sept. 15 provides intriguing insight into the complex immune regulatory mechanisms that underlie immune tolerance.
A sample from a normal lung is on the left, and from a diseased lung on the right. Immune cells invade lung tissue when GATA-3 is absent in Tregs. 
Cells called Foxp3-expressing regulatory T cells, or "Treg cells," are a subpopulation of immune cells that suppress the immune system to maintain self tolerance. These regulatory "suppressor" cells have to recognize our own cells as "self" in order to turn off the effector arm of the immune system so that it does not attack our own healthy tissues and cause an autoimmune or inflammatory disease. There has been a lot of interest in Treg cells because it has been hypothesized that these cells might be useful for treating autoimmune disease or facilitating organ transplantation. "Foxp3 is a transcription factor that is important for Treg cell function," explains senior study author, Dr. Yisong Y. Wan, from the University of North Carolina at Chapel Hill. "If we are going to fully understand immune tolerance and regulation, it is critical to understand how Treg and Foxp3 function are controlled."

Dr. Wan and colleagues were interested looking at a second transcription factor, GATA-3, best known as a master regulator of another type of immune cell. "GATA-3 plays multi-faceted roles of regulating immune function in a cell-type specific fashion," says Dr. Wan. "However, whether and how GATA-3 is involved in controlling Treg function was unknown." The researchers discovered that when GATA-3 was deleted from Treg cells, mice developed a spontaneous inflammatory disorder and that Treg cells were defective in their ability to suppress the immune system. They went on to show that GATA-3 controls Foxp3 expression by binding to a regulatory region in the Foxp3 gene and that defects in both GATA-3 and Foxp3 resulted in substantially impaired Treg cells.

Therefore, the investigators have shown that one transcription factor (GATA-3) can control the expression of another transcription factor (FoxP3) to drive functional differentiation of Treg cells. By evolutionarily engineering a multi-layered process of transcriptional regulation, nature has provided for the opportunity to finely tune the generation of Treg cells. "Our study provides novel insights into the modulation of Treg function, revealing an indispensible role of GATA-3 in regulating Treg function and immune tolerance," concludes Dr. Wan. "We suggest that GATA-3 expression in Treg cells is important for the modulation of Treg function and immune response, and thus needs to be considered in order to fully understand how protective (to clear pathogen) and pathogenic (to cause autoimmunity and inflammatory disease) immune responses are controlled."

Researchers Discover How 'Promiscuous Parasites' Hijack Host Immune Cells

ScienceDaily (Sep. 21, 2011) — Toxoplasma gondii parasites can invade your bloodstream, break into your brain and prompt behavioral changes from recklessness to neuroticism. These highly contagious protozoa infect more than half the world's population, and most people's immune systems never purge the intruders.
Toxoplasma gondii parasites, green, multiply inside an immune cell that lives in the brain.
Cornell researchers recently discovered how T. gondii evades our defenses by hacking immune cells, making it the first known parasite to control its host's immune system. Immunologists from the College of Veterinary Medicine published the study Sept. 8 in PLoS Pathogens, describing a forced partnership between parasite and host that challenges common conceptions of how pathogens interact with the body.

"Toxoplasma is an especially promiscuous parasite," said Eric Denkers, professor of immunology. "It infects nearly all warm-blooded species, most nucleated cell types and much of the human population. Although it lives in vital brain and muscle tissues, it usually causes no obvious reaction. Infection can seriously harm people with weak immune systems, yet most hosts experience no overt symptoms because Toxoplasma has found a way to coerce cooperation."

Famous for its manipulative powers, T. gondii has been shown to alter the brain chemistry of rodents so that they fearlessly pursue cats. Cats eat the rodents, delivering the parasites to their breeding ground in feline intestines. Similar manipulations have surfaced in human studies linking T. gondii infections to behavioral and personality shifts, schizophrenia and population variations, including cultural differences and skewed sex ratios. Denkers' study maps T. gondii's newfound ability to manipulate cells in the immune system at the molecular level.

"We found that Toxoplasma quiets its host's alarm system by blocking immune cells from producing certain cytokines, proteins that stimulate inflammation," said Denkers. "Cytokines are double-edged swords: They summon the immune system's reinforcements, but if too many accumulate they can damage the body they're trying to defend. An unregulated immune response can kill you."

When immune cells meet intruders, they release cytokines that summon more immune cells, which produce more cytokines, rapidly causing inflammation. T. gondii must allow cytokines to trigger enough of an immune response to keep its own numbers in check and ensure host survival. But too many cytokines cause an overwhelming immune response that could damage the host or eliminate the parasites.

"Toxoplasma hijacks immune cells to enforce a mutually beneficial balance," Denkers said. "Until recently we thought it walled itself away inside cells without interacting with its environment. It's now clear that the parasite actively releases messages into cells that change cell behavior."

To prove this, Barbara Butcher, a senior research associate working with Denkers, exposed immune cells in the lab to bacterial factors that typically stimulate the release of inflammatory cytokines.

"Cells infected with Toxoplasma produced no messages to trigger inflammation," Denkers said. "Our colleagues at Stanford University found that Toxoplasma produces a specific protein called ROP16 to suppress inflammatory responses. Collaborating with parasitologists at Dartmouth Medical School, we found that Toxoplasma sends ROP16 to infiltrate communication channels in immune cells, causing them to lower cytokine production.

"We are excited to have found the first non-bacterial pathogen able to exert this kind of control," said Denkers. "If Toxoplasma can do this, maybe other parasites can too. This is the first case where the whole process of immune system manipulation is close to being completely mapped out at the molecular level."

That map may help steer future investigations into how pathogens interact with hosts, unveiling the inner workings of a spectrum of infectious diseases.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Como diagnosticar o Transtorno Bipolar em crianças e adolescentes


ALERTA
O documento abaixo é de autoria do Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia, uma entidade de pesquisas pan-europeia, sem fins lucrativos.
O objetivo da publicação é orientar médicos e profissionais de saúde quanto aos estudos mais recentes no diagnóstico e tratamento de transtornos de humor, sobretudo o chamadotranstorno bipolar, em crianças e adolescentes.
Seu conteúdo não deve ser usado por leigos em substituição ao parecer médico. O diagnóstico e o tratamento de qualquer condição só podem ser feitos e recomendados por profissionais médicos especializados.
O Cérebro Emocional na Juventude
Como diagnosticar e tratar transtornos de humor em crianças e adolescentes
Diagnosticar o transtorno bipolar em adolescentes já se estabeleceu como prática médica, apesar das muitas vozes contra uma eventual "medicalização" de situações que não deveriam ser sujeitas a tratamentos.
Com isto, se a bipolaridade existe realmente em crianças é um assunto que permanece controverso entre os cientistas, apesar de numerosos estudos que têm sido realizados sobre este tema nos últimos 15 anos.
Como o diagnóstico de transtorno bipolar em crianças vem aumentando ao longo dos últimos dez anos, clínicos, pesquisadores, pais e outras pessoas que cuidam de crianças ficam se perguntando ao que se deve este aumento dramático no diagnóstico de transtorno bipolar pediátrico (Dickstein, 2010):
Trata-se de um melhor reconhecimento de um distúrbio psiquiátrico importante, ou deve-se a um excesso de diagnósticos, diagnósticos equivocados, ou uma moda?
Em resposta a este aumento, tem crescido também o interesse tanto clínico quanto de pesquisa nas doenças bipolares pediátricas, incluindo um re-exame dos critérios para o diagnóstico desta condição com base nas melhores descobertas científicas da neurobiologia.
Transtorno bipolar
Clinicamente, o transtorno bipolar é uma desordem afetiva grave, na qual o humor tipicamente oscila do pólo maníaco da euforia e/ou da irritabilidade extrema, à depressão e perda de interesse ou prazer.
Episódios mistos são caracterizados pela apresentação simultânea de sintomas maníacos e depressivos.
O transtorno bipolar pode ser dividido em dois subtipos principais - transtorno bipolar tipo I e transtorno bipolar tipo II -, embora a expansão do espectro bipolar possa ser de relevância clínica.
O transtorno bipolar tipo I é caracterizado por um histórico de pelo menos um episódio maníaco, com ou sem sintomas depressivos.
O transtorno bipolar tipo II é caracterizado pela presença tanto de sintomas depressivos quanto de uma forma menos grave de mania ("hipomania").
Os períodos entre os episódios agudos podem durar meses, ou mesmo anos, no início do curso da doença, mas depois os períodos livres de sintomas tendem a diminuir. O chamado "ciclo rápido" é uma variante específica no seguimento da doença que é definida pela ocorrência de quatro ou mais episódios por ano.
O transtorno bipolar em crianças e adolescentes
O transtorno bipolar é um problema de saúde significativo devido ao seu início precoce e sua evolução crônica, podendo durar por toda a vida, com recaídas e forte incapacitação.
Em crianças e adolescentes, a doença resulta em consideráveis limitações funcionais e altas taxas de internação psiquiátrica (Axelson et al., 2006).
De acordo com estudos retrospectivos, 20% dos adultos com transtorno bipolar tiveram seus primeiros sintomas antes da idade de 20 anos (Lish et al, 1994; Perlis et al, 2004).
Diagnóstico do transtorno bipolar
Para diagnosticar o transtorno bipolar I em adolescentes, são usados critérios para adultos (DSM-IV), exceto que (Diretrizes NICE, 2006):
  • Mania deve estar presente.
  • Euforia deve estar presente na maioria das vezes (no decurso dos últimos 7 dias).
  • Irritabilidade deve ser observada se é episódica, grave, se resulta em disfunção e se não é de caráter ou está fora de sintonia com o contexto.
A fenomenologia específica do transtorno bipolar em adolescentes é caracterizada por (Birmaher et al, 2006; Carlson et al, 1994..):
  • Episódios mais heterogêneos do que os puramente maníacos.
  • Irritabilidade frequente e comportamento agressivo
  • Características psicóticas em 30% dos episódios agudos (os quais podem levar a erros de diagnóstico em 50% dos casos).
  • Perfil de ciclagem rápida observada mais frequentemente.
  • Desinibição sexual.
  • Altas taxas de comorbidades com o Transtorno de Déficit Atenção/Hiperatividade (TDAH), abuso de substâncias e transtornos de ansiedade e conduta.
Características clínicas, tais como euforia, grandiosidade, hipersexualidade, pensamentos competitivos e diminuição da necessidade de sono são típicos de manias associadas com transtorno bipolar primário, a fim de distingui-lo de pacientes com TDAH primária (Birmaher et al., 2006).
Quanto mais jovem for a criança, mais rara é a [ocorrência da] condição de transtorno bipolar.
No entanto, não há dúvida de que um número substancial de pré-adolescentes tem sintomas de mania, geralmente sobrepostos a uma série de diferentes condições psiquiátricas e desenvolvimentais (Carlson, 2005).
Estudos recentes têm mostrado que "sintomas maníacos" em crianças podem ser mais comuns do que se pensava. A necessidade de evitar confusão terminológica com o transtorno bipolar é agora consensual (Dickstein, 2010).
Se os sintomas maníacos crônicos em crianças representam (1) um distúrbio de desenvolvimento que vai mudar durante a vida adulta; (2) o surgimento precoce do transtorno bipolar I; (3) um novo subtipo do transtorno bipolar (por exemplo, crônico com ciclagem rápida); ou (4) um risco de desenvolvimento posterior do transtorno bipolar I (fenótipo estreito) ainda precisa de mais investigação (Carlson, 2005).
Uma visão desenvolvimental é crucial para entender o complexo de sintomas maníacos em crianças e adolescentes.
Existe um continuum entre transtorno bipolar pediátrico e bipolar tipo I em adolescentes?
Há muito poucos argumentos para apoiar a hipótese de que o transtorno bipolar em adolescentes (episódios de doença claramente definidos e os chamados períodos eutímicos, sem sintomas) e o chamado "transtorno bipolar pediátrico" são a mesma doença ou dois transtornos relacionados em um continuum comum.
Além disso, os jovens com transtorno bipolar e TDAH comórbido tendem a ser menos sensíveis às drogas usadas no transtorno bipolar, sugerindo que sintomas maníacos crônicos comórbidos com TDAH em jovens podem não ser a mesma condição ou um continuum em vez de um transtorno bipolar ciclóide típico (Consoli et al ., 2007).
Uma nova abordagem sugere um sistema fenotípico de mania juvenil consistindo de um fenótipo restrito, dois fenótipos intermediários e um fenótipo amplo (Leibenluft et al., 2003). O fenótipo estreito de mania inclui principalmente adolescentes com episódios claros de mania eufórica.
Por outro lado, o fenótipo amplo, chamado "Desregulação Grave do Humor" é apresentado por pacientes mais jovens que têm um curso crônico, não-episódico da doença, que não inclui os sintomas característicos da mania, mas compartilha com os fenótipos mais estreitos os sintomas de irritabilidade severa e hiperatividade tipo TDAH.
De fato, estes pacientes parecem responder melhor a tratamento farmacológicos e não-farmacológicos tipo ADHD (Waxmonsky et al., 2008).
Esta abordagem e pesquisas posteriores deram origem ao novo diagnóstico de Transtorno do Temperamento Irregular com Disforia (TTID), o que significa uma mudança potencial no sistema de classificação de diagnóstico do DSM-V agendado para publicação em maio de 2013.
No entanto, um diagnóstico de TTID exclui o sintoma tipo ADHD de hiperexcitabilidade devido a preocupações de que isto poderia potencialmente levar a um aumento nos diagnósticos de TDAH.
Em geral, tais critérios induziram o surgimento de uma linha incrivelmente produtiva de pesquisas demonstrando diferenças fenomenológicas (curso episódico vs crônico, eufórico vs humor irritável) e iniciando discussões que são relevantes para clínicos e pesquisadores (Dickstein, 2010; Leibenluft, 2011; Masi et al., 2008).
Tratamento do transtorno bipolar na juventude
Terapia farmacológica
O tratamento adequado para crianças e adolescentes com transtorno bipolar tem benefícios essenciais com relação ao desempenho escolar, comprometimento escolar ou profissional, estresse no relacionamento, uso comórbido de substâncias e prevenção de suicídios.
A farmacoterapia da mania compreende os chamados estabilizadores de humor (lítio, por exemplo), os antipsicóticos atípicos ou de segunda geração (ASGs) e antipsicóticos típicos (clorpromazina).
O uso de estabilizadores do humor ou antipsicóticos no tratamento de crianças e adolescentes parece ter valor limitado quando ocorre uma condição de comorbidade como a TDAH, a menos que o comportamento agressivo seja o sintoma-alvo (Consoli et al., 2007).
Efeitos subjetivos adversos desempenham um papel central na experiência de tomar drogas antipsicóticas (Moncrieff et al., 2009).
Em adultos, os antipsicóticos de segunda geração (ASGs) têm mostrado uma boa relação benefício/risco no transtorno bipolar, com uma baixa frequência de síndrome motora extrapiramidal (SME) e uma frequência moderada de efeitos metabólicos adversos, como a síndrome metabólica e diabetes.
Ainda assim, o conhecimento disponível sobre o uso de ASGs em crianças e adolescentes é limitado.
Para avaliar a relação benefício/risco de ASGs em crianças e adolescentes, uma meta-análise bayesiana com um total de 4.015 pacientes analisou recentemente 41 estudos controlados de curto prazo (3 semanas) que avaliaram os efeitos adversos dos ASGs em jovens, incluindo 12 em jovens com transtorno bipolar (Cohen et al., submetido para publicação).
Em comparação com adultos, descobriu-se que os jovens são mais vulneráveis aos efeitos adversos dos ASGs. Todos os ASGs aumentaram o risco de sonolência/sedação.
Além disso, em comparação com o placebo, foram observados significativas alterações relacionadas com o tratamento com substâncias específicas sobre o ganho de peso, variáveis metabólicas (incluindo prolactina) e sintomas motores-extrapiramidais.
Os antipsicóticos de segunda geração (ASGs) representam um tratamento eficaz para crianças e adolescentes com transtorno bipolar, de acordo com o que diferentes perfis de tolerabilidade devem ser considerados na tomada de decisão de tratamento (Cohen et al., submetido para publicação).
Terapias não-farmacológicas
Além do tratamento farmacológico, estratégias educacionais e psicossociais, incluindo apsicoterapia, a promoção da adesão ao tratamento e a educação dos pacientes e suas famílias são essenciais no tratamento do transtorno bipolar na juventude, a fim de melhorar o resultado do tratamento.
Em caso de não-resposta ao tratamento farmacológico, a eletroconvulsoterapia (ECT) tem-se mostrado um tratamento seguro e eficaz tanto para os episódios maníacos quanto para os depressivos em adolescentes com doença grave (Cohen et al., 1997).
Com relação ao resultado a longo prazo de adolescentes que recebem ECT, os resultados sugerem que os adolescentes submetidos à ECT para o transtorno bipolar não diferem no funcionamento social e escolar subsequente de controles cuidadosamente combinados (Taieb et al., 2002), e adolescentes tratados com a ECT não sofrem danos cognitivos mensuráveis em um acompanhamento de longo prazo (Cohen et al., 2000).
Além disso, uma avaliação das experiências e atitudes de pacientes e pais em relação ao uso da ECT na adolescência indica que, apesar das visões negativas sobre a ECT na opinião pública, os adolescentes submetidos ao tratamento e seus pais compartilham atitudes globais positivas em relação à ECT (Taieb et al., 2001).
Perspectivas para o futuro
Na última década, estudos de imageamento estrutural e funcional através de ressonância magnética (MRI, fMRI) geraram uma maior compreensão da neurobiologia do transtorno bipolar em crianças e adolescentes.
Uma vez que as descobertas atuais indicam que os jovens com transtorno bipolar têm alterações fundamentais nas interações cérebro/comportamento que estão na base do processamento emocional, estudos futuros poderiam avaliar como medicamentos ou psicoterapias podem melhorar essas interações cérebro/comportamento (Dickstein, 2010).
O Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia (ECNP) dá suporte a redes de clínicos que buscam melhorar o tratamento em crianças com transtorno bipolar. Como a intervenção precoce pode melhorar o diagnóstico, estudos de tratamento são um objetivo importante para futuras pesquisas (Goodwin et al., 2008).
Conclusão
Nos anos recentes, tem sido observado um aumento considerável no número de crianças e adolescentes avaliados, diagnosticados e tratados para a doença bipolar.
Sintomas tipo bipolar são bastante frequentes em crianças pré-púberes, mas a idade a partir da qual o transtorno bipolar pode ser diagnosticado permanece controversa.
Descobertas neurobiológicas recentes têm avançado nossa compreensão das funções e disfunções emocionais na juventude.
Aspectos desenvolvimentais e fatores ambientais são cruciais com relação ao surgimento e progressão do transtorno bipolar em crianças e adolescentes. Do ponto de vista do desenvolvimento, o transtorno bipolar em adolescentes e o chamado "transtorno bipolar pediátrico" não são a mesma doença, ou dois transtornos relacionados em um continuum comum.
O diagnóstico diferencial é importante para distinguir o transtorno bipolar do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou transtornos de conduta em crianças e adolescentes.
O tratamento do transtorno bipolar em jovens compreende estratégias farmacológicas e não-farmacológicas. Diferenças no perfil de tolerabilidade à medicação devem ser consideradas na tomada de decisões sobre o tratamento e na otimização da relação benefício/risco.
Nos próximos anos, o reconhecimento e o diagnóstico do transtorno bipolar em crianças deverá ser mais fortemente baseado em marcadores biológicos, tais como a estrutura do cérebro e os circuitos neurais. Combinada com o histórico clínico, esta abordagem deverá resultar em diagnósticos e tratamentos melhores, mais específicos e mais precisos.