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domingo, 16 de janeiro de 2011

Projetor LCD é usado para 'controlar' neurônios e músculos de vermes

Células dos invertebrados foram estimuladas para gerar movimentos. Experimento foi realizado por equipe de instituto de tecnologia nos EUA.

As telas de cristal líquido (LCD, na sigla em inglês) receberam um novo uso quando cientistas norte-americanos usaram projetores com a tecnologia para controlar o cérebro e músculos de vermes. Por meio do estímulo luminoso, os invertebrados podiam ser "comandados" a se movimentar na direção que a equipe da professora Hang Lu, da Escola de Química e Biologia Molecular do Instituto de Tecnologia da Geórgia, definia.


Explicado na publicação científica "Nature Methods", o experimento é um avanço na área de optogenética, na qual a manipulação de genes, normalmente obtidos a partir de algas, é combinada com as luzes dos LCDs. Até então, somente animais maiores eram estimulados por essa técnica, com o implante de fibras óticas no cérebro das cobaias ou o uso de iluminação no corpo inteiro do animal.
Minhoca LCD 1
As cores geradas por LCDs permitiram o controle do movimento do verme acima pela equipe do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos. O invertebrado passou a se movimentar quase de forma circular, seguindo para onde os cientistas queriam. (Foto: Hang Lu / Instituto de Tecnologia da Geórgia, EUA)
Agora, com componentes baratos presentes nos aparelhos de LCD comuns, os cientistas norte-americanos conseguiram despertar ou inibir neurônios e células musculares de pequenas partes de organismos da espécie Caenorhabditis elegans. As luzes azul, vermelha e verde emitidas serviram para ativar proteínas fotossensíveis, obtidas a partir da modificação de genes colocados nos vermes, que chegam a apenas 1 milímetro de comprimento.

"A iluminação com LCD nos permite melhorar nossa habilidade para controlar, alterar, observar e investigar como neurônios e células musculares moldam o comportamento dos animais", afirma Lu. "O componente central da iluminação que nós usamos na experiência está disponível no comércio comum, o que reduz muito a complexidade e o custo do sistema. Esperamos que essas vantagens façam a técnica ser mais empregada pela comunidade científicas nas pesquisas."

O resultado era a mudança do caminho seguido pelo animal, que passava a desenhar um "triângulo" ao se mexer. As informações geradas pelos projetores podiam ser atualizadas em menos de 40 milissegundos, alterando a posição, intensidade e cor da luz emitida.A ferramenta desenvolvida por Hang Lu e pelos alunos Jeffrey Stirman e Matthew Crane foi financiada pelos Institutos de Saúde norte-americanos (NIH, na sigla em inglês) e pela Fundação Alfred P. Sloan. Nos testes, a equipe esperava o verme se movimentar em linha reta para lançar a luz com os LCDs, em intervalos regulares.

Apesar do foco da pesquisa estar nas respostas mecânicas, a tecnologia de LCD pode também ser usada para estudar comportamentos químicos, térmicos e até visuais em outros estudos. Entre exemplos de bichos de pequeno porte analisados com esta ferramenta estão peixes e larvas de moscas.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Cientistas criam técnica que protege fígado em casos de câncer de cólon

Tratamento genético, combinado com quimioterapia, ajuda a preservar o órgão de metástases


PAMPLONA, ESPANHA - Uma equipe de cientistas espanhóis desenvolveu uma técnica de tratamento genético que, com a combinação de imunoterapia e quimioterapia, ajuda a proteger o fígado de pacientes com câncer de cólon, já que é comum que a doença se expanda para esse órgão.

Por enquanto, os resultados foram obtidos apenas em testes com animais, informaram na última quinta-feira os responsáveis pela pesquisa, Jesús Prieto e Rubén Hernández, da Universidade de Navarra, no norte da Espanha.

O câncer de cólon apresenta uma tendência de se expandir para o fígado, de modo que mais da metade dos pacientes tem metástases hepáticas, o que limita suas opções de cura, afirmam os pesquisadores.

Nos estágios iniciais, as metástases podem ser eliminadas por cirurgia, mas na maioria dos casos isso não é possível, ou as metástases reaparecem depois de um tempo - por isso, a quimioterapia muitas vezes é a única alternativa, embora sua eficácia a longo prazo seja limitada.

Segundo os responsáveis pelo estudo, "esse tratamento combinado elimina metástases pré-existentes e protege o fígado contra possíveis recidivas". De acordo com Prieto e Hernández, "os resultados obtidos em animais confirmam que é uma modalidade terapêutica sumamente promissora que poderia ser eficaz em pacientes com tumores de cólon com metástase de fígado".

Na fase atual, o trabalho se concentra em aperfeiçoar os mecanismos para produzir meios de tratamento genético com um rendimento compatível a sua aplicação clínica. Além disso, propõe-se a validar os resultados em outros modelos experimentais, para prever seu possível efeito em humanos. 


Teste de vacina contra malária mostra proteção de longa duração

Uma vacina experimental contra a malária da GlaxoSmithKline oferece a crianças africanas uma proteção duradoura, embora sua eficácia diminua ligeiramente ao longo do tempo, de acordo com dados de um estudo inacabado, publicado na sexta-feira (14). Os experimentos foram conduzidos no Instituto de Pesquisa Médica do Quênia.

Segundo os pesquisadores, os resultados mostram que a vacina oferece 46% de proteção por 15 meses.

A malária é uma doença infecciosa transmitida por mosquitos que ameaça mais da metade da população mundial. A maioria das vítimas são crianças menores de 5 anos que vivem em países pobres da África subsaariana.

O último relatório da OMS (Organização Mundial de Saúde) sobre a doença encontrou avanços na última década, como a queda da estimativa de mortes, de quase um milhão em 2000 para 781.000 em 2009.

O estágio avançado de testes da vacina da GSK --conhecido como RTS, S ou Mosquirix-- está em andamento com 16.000 crianças em sete países da África. A imunização termina no próximo mês.

Se os dados mostrarem que a vacina é realmente eficaz, ela poderá ser licenciada e lançada em 2015.

O estudo, realizado entre março de 2007 e outubro de 2008, envolveu 894 crianças com idade superior a cinco meses, no Quênia e na Tanzânia.

Os primeiros resultados, publicados em 2008, mostraram que a vacina deu 53% de proteção contra a malária, pelo menos por oito meses, mas pesquisadores liderados por Ally Olotu, no instituto em Kilifi, Quênia, querem averiguar se a proteção durararia mais tempo.

Os resultados publicados na revista "The Lancet" mostraram que após 15 meses de acompanhamento, a eficácia da vacina não tinha diminuído muito. As crianças vacinadas ainda tinham 46% menos probabilidade de contrair a doença em relação àquelas que não tinham sido imunizadas.

"Mais estudos são necessários para estabelecer a eficácia da vacina, por exemplo, em crianças infectadas pelo HIV ou desnutridas", disse Olotu no estudo. Ele ainda acrescentou que devem ser feitos novos testes em locais com intensidade diferente de transmissão para confirmar os resultados.

O diretor do laboratório GSK (GlaxoSmithKline) Andrew Witty, disse que, se a eficácia da vacina for demonstrada, ela será vendida a um preço acessível a quem mais precisa dela. A empresa informou que está planejando uma margem de lucro de 5% sobre o custo de fabricação, que seriam reinvestidos em novas vacinas contra a malária e outras doenças negligenciadas.

Danos genéticos são causados logo após inalação de fumo, diz estudo

Cientistas 'seguiram' substância tóxica que provoca mutações. Alterações do DNA podem causar câncer de pulmão.

Pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos EUA, dizem ter descoberto que a fumaça do cigarro começa a causar danos genéticos minutos após a inalação das substâncias tóxicas.
Cigarro
Cerca de 3 mil pessoas morrem por dia de câncer
de pulmão.
Os cientistas apontam que o câncer de pulmão mata cerca de 3 mil pessoas por dia, e grande parte dessas vidas se perdem por causa do cigarro. O fumo também está ligado a outros 18 tipos de câncer.

Evidências científicas mostram que substâncias danosas presentes no tabaco, os chamados hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), são um dos culpados pelo câncer de pulmão. Até agora, contudo, os cientistas não haviam detalhado como os HAPs causavam estragos no DNA humano.

Na experiência, os cientistas acompanharam o caminho da substância fenantreno (um tipo de HAP) em 12 voluntários fumantes. Eles descobriram que esse hidrocarboneto rapidamente forma uma substância tóxica no sangue, que estraga o DNA das células, causando mutações que podem causar câncer.

Os fumantes desenvolveram níveis máximos dessa substância em um tempo que surpreendeu os pesquisadores: entre 15 a 30 minutos aos a inalação da fumaça. Segundo os cientistas, é um efeito tão rápido que equivale a injetar a substância tóxica diretamente na corrente sanguínea.

“Os resultados reportados servem como um aviso severo a quem está considerando começar a fumar”, indicam os pesquisadores no estudo, divulgado na publicação científica “Chemical Research in Toxicology”.

Cientistas descobrem que agente causador da vaca louca é transmitido pelo ar

Estudos mostraram que 100% dos ratos que foram fechados em câmaras especiais e expostos a aerossóis com príons (agente infeccioso que causou a epidemia vaca loca), durante um minuto, adoeceram.

ZURIQUE - Um príon, agente patogênico do mal da vaca louca, pode ser transmitido pelo ar, ao contrário do que se pensava até agora, segundo um estudo suíço-alemão, que recomenda precaução a laboratórios, matadouros e fábricas de ração para animais.

O professor Adriano Aguzzi e uma equipe de cientistas das universidades de Zurique (Suíça) e Tübingen (Alemanha) e do hospital universitário de Zurique publicam seu estudo na revista PLoS Pathogens.

Os resultados, que segundo Aguzzi foram "totalmente inesperados", mostraram que 100% dos ratos que foram fechados em câmaras especiais e expostos a aerossóis com príons durante um minuto adoeceram.

Segundo o estudo, quanto mais tempo durou a exposição a este patogênico menor foi o tempo de incubação nos ratos e mais cedo se manifestaram os sintomas clínicos de uma doença causada por príons - que degenera o sistema nervoso central.

Um príon - proteína carente de genoma e ácidos nucleicos - é o agente infeccioso que causou a epidemia da vaca louca, também conhecida como encefalopatia espongiforme bovina, que provocou a morte de 280 mil vacas nas últimas décadas.