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quinta-feira, 22 de março de 2012

Nano pílulas liberam medicamentos diretamente dentro das células
As nanopílulas são materiais bacterianos, que recebem sua carga de medicamentos - proteínas ou outras moléculas - e as levam diretamente ao interior das células.
Nanopílulas

Cientistas espanhóis desenvolveram um novo veículo para liberar proteínas com efeitos terapêuticos no organismo.

Eles batizaram o novo mecanismo de nanopílulas.

Esses veículos de transporte de drogas são conhecidos como corpúsculos de inclusão bacterianos, nanopartículas estáveis e insolúveis, que normalmente são encontrados em bactérias recombinantes.

Apenas para se ter uma ideia das dimensões envolvidas, uma nanopartícula está para uma bola de futebol, assim como uma bola de futebol está para a Terra inteira.

Cada nanopílula não carrega mais do que algumas poucas proteínas, e funciona em nível celular.

Corpúsculos de inclusão

Os corpúsculos de inclusão têm sido tradicionalmente um obstáculo à produção industrial de enzimas solúveis e biofármacos.

Mais recentemente, contudo, descobriu-se que eles possuem grandes quantidades de proteínas funcionais, com possibilidade de uso direto em aplicações industriais e biomédicas.

Antoni Villaverde e seus colegas da Universidade Autônoma de Barcelona decidiram testar o valor dessas nanopartículas como nanopílulas naturais, com uma forte capacidade para penetrar nas células e realizar atividades biológicas.

O conceito de nanopílula representa uma plataforma nova e promissora para a administração de medicamentos, ainda que o uso de materiais microbianos na Medicina exigirá testes de segurança - o conceito só foi testado em laboratório até agora.

Curando células

Os investigadores "empacotaram" quatro proteínas, contendo diferentes efeitos terapêuticos, em suas nanopílulas experimentais, os corpúsculos de inclusão da bactéria Escherichia coli.

Eles colocaram as bactérias em contato com culturas de células de mamíferos sob condições semelhantes às encontradas em patologias clínicas reais - células "doentes", com baixa viabilidade.

O resultado foi positivo, recuperando a atividade das células doentes.

Os resultados e a descrição do mecanismo da nanopílula foram publicados na última edição da revista Advanced Materials.
Aspirina pode reduzir risco de metástase e morte por câncer
Foram identificados benefícios relevantes da aspirina sobre a metástase, sugerindo seu uso como tratamento adicional.
Efeitos da aspirina

No final de 2010, a equipe do Dr. Peter Rothwell, da Universidade de Oxford, publicou um estudo que sugeria que a ingestão de uma aspirina por dia reduzia o risco de morte por câncer.

Naquele trabalho, a equipe se concentrou sobretudo sobre o câncer de intestino, e seus resultados mostravam que a aspirina deveria ser tomada por longos períodos, que variavam de oito a 20 anos.

Agora, em um novo estudo, também publicado na revista Lancet, eles argumentam que os benefícios podem vir bem antes - de três a cinco anos.

Tratamento adicional

Os pesquisadores destacam que não se trata de medidas preventivas contra o câncer, o que exigirá novos estudos, mas como um tratamento adicional para pessoas que já estejam com a doença.

O estudo identificou benefícios mais relevantes sobretudo em relação aos eventuais efeitos da aspirina sobre a metástase, o espalhamento de um tumor pelo restante do corpo.

"Nós não estamos no estágio de recomendar o uso da aspirina para todas as pessoas, mas os protocolos médicos sobre o uso da aspirina pela população saudável de meia-idade certamente precisam ser atualizados, a fim de levar em conta os efeitos [da aspirina] sobre o risco e a progressão do câncer, assim como o risco de ataques cardíacos e derrames," disse Rothwell.

Benefícios da aspirina

O grupo não fez experimentos diretos, mas uma revisão dos experimentos realizados por cientistas de todo o mundo - foram revisados 51 estudos, envolvendo mais de 77 mil pacientes.

O levantamento foi subdividido em três artigos agora publicados.

No primeiro, a ingestão diária de aspirina detectou-se uma redução no risco de morte por câncer de 15%. Essa redução aumentou ao longo do tempo, chegando a 37% entre aqueles que tomaram aspirina durante 5 anos ou mais.

No segundo artigo, os cientistas relatam os efeitos da ingestão de aspirina sobre a metástase.

Foi identificada uma redução do risco do espalhamento do câncer de 36% em um período de 6,5 anos.

O terceiro artigo cobre estudos anteriores do tipo observacional, em vez de testes onde a ingestão do medicamento é controlada. Os resultados corroboram os resultados dos outros dois artigos.

Tomar ou não tomar aspirina

Alguns estudos associam a aspirina à redução dos riscos de ataques cardíacos ou de derrames entre as pessoas nos grupos de risco. Outros, porém,questionam o uso da aspirina na prevenção de ataques cardíacos.

Os críticos da aspirina como medicação preventiva ressaltam que os efeitos de proteção contra doenças cardiovasculares são pequenos entre adultos saudáveis. E, segundo eles, há documentação de que a prática aumenta o risco de sangramentos no estômago e no intestino.

Uma pesquisa publicada em 2009 concluiu que o uso regular da aspirina pode fazer mais mal do que bem.

Veja todas as reportagens já publicadas no Diário da Saúde envolvendopesquisas sobre a aspirina.
Chumbo pode causar comportamentos transgressores em jovens 
O chumbo está presente em muitos itens do nosso cotidiano, como cerâmica, plásticos, pigmentos e baterias.
Chumbo por chumbo

Comportamento agressivo, atos de vandalismo e baixo desempenho escolar.

Fatores assim, normalmente associados a problemas psicossociais nos jovens, podem ter uma causa extra.

Uma pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP mostra que a exposição ao chumbo leva ao aumento das atitudes transgressoras e causa prejuízos psicológicos.

A pesquisadora Kelly Polido Kaneshiro Olympio, confirmou a relação, que já havia sido detectada por pesquisadores estrangeiros, em uma amostra de 173 jovens em Bauru, interior de São Paulo.

Chumbo no organismo

O corpo de crianças absorve chumbo com mais facilidade que o de adultos. Além disso, os pequenos tendem a colocar objetos como brinquedos na boca, aumentando o risco da exposição.

"Não há um nível de exposição ao chumbo que seja seguro à saúde humana. Estudos recentes têm demonstrado prejuízos neurocomportamentais ligados a concentrações muito baixas no sangue", diz a pesquisadora.

Kelly analisou o esmalte - a parte que enxergamos do dente - para identificar a carga corporal de chumbo nos jovens. Também foram aplicados questionários a pais e filhos sobre o estabelecimento de comportamento antissocial, cometimento de atos infracionais, condições familiares e contexto socioeconômico.

O cruzamento dos dados apontou uma associação entre agressividade, tendência a quebrar regras, problemas sociais, e queixas físicas com maiores níveis de chumbo no corpo. Proximidade

Contaminação por chumbo

Os mais afetados viviam em regiões próximas a fábricas que utilizam o chumbo ou que conviviam com empregados dessas empresas.

"O metal está presente em muitos itens do nosso cotidiano, como cerâmica, plásticos, pigmentos e baterias. Também em esmalte anticorrosivo para portões, brinquedos de baixa qualidade e produtos domésticos de baixa qualidade", explica a pesquisadora.

Ela ressalta que a redução do uso de chumbo é muito desejável. "Há um movimento global da Organização Mundial da Saúde (OMS) para eliminação de chumbo em tintas. Também preocupa a contaminação pelo metal causada pelas baterias, devendo haver um esforço para que se regule o caminho percorrido por este produto, desde sua origem até o descarte final", explica.

E é necessário que haja uma fiscalização mais rigorosa sobre os importados, "principalmente aqueles de baixa qualidade destinados ao público infantil", conclui.

Além disso, a pesquisadora recomenda a conscientização de pessoas que trabalham com chumbo, para que saibam evitar ou minimizar a exposição e não levem a ameaça para casa. E é preciso reforçar a vigilância ambiental dessas indústrias, para minimizar a exposição da população vizinha e os consequentes efeitos à saúde.

Exposição ao chumbo

Os prejuízos nos jovens permanecem até idades mais avançadas. Um estudo publicado nos Estados Unidos, em 2008, mostrou uma associação entre exposição a chumbo durante o crescimento e comportamento criminoso em adultos. Neles, a exposição pode causar hipertensão, neuropatias, perda de memória e irritabilidade, entre outras doenças. Pode-se chegar até a morte, dependendo do nível da exposição.

Segundo Kelly, a América Latina está pouco preparada para lidar com a situação. No Brasil, só em 2008 foi aprovada uma lei que limita a quantidade de chumbo na fabricação de tintas imobiliárias e de uso infantil e escolar, vernizes e materiais similares.

A situação é diferente nos Estados Unidos, onde o uso é restrito há mais tempo. Lá, a lei foi recentemente atualizada, delimitando a concentração de chumbo permitida a níveis mais baixos do que os fixados no Brasil.

"Ainda precisamos conhecer a extensão do problema da contaminação por chumbo no Brasil", diz Kelly.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Aumento médio de medicamentos será de 2,81%

Novos preços passam a vigorar no final do mês; 48% dos remédios terão custo reduzido

BRASÍLIA - Medicamentos com baixa concorrência no mercado terão de reduzir preços em 0,25% a partir do dia 31, de acordo com regras divulgadas nesta segunda-feira, 19, pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A regra atingirá cerca de 48% dos medicamentos disponíveis no mercado brasileiro, estima o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma).
Remédios de baixa concorrência terão redução de 0,25%
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Liminar obriga laboratórios a dar desconto ao Estado

Pelas regras divulgadas no Diário Oficial da União, o aumento médio dos remédios será de 2,81%. O maior índice de reajuste - concedido para medicamentos que tenham oferta de genéricos superior a 20% do mercado -, será de 5,85%.

Remédios com participação no mercado entre 15% e 20% terão reajuste de 2,8%. Já aqueles com baixa concorrência, terão aumento negativo de 0,25%. Em fevereiro, o Estado já havia adiantado que essa classe de medicamentos poderia ter seus preços reduzidos pela CMED.

Os novos preços entram em vigor a partir de 31 de março e terão de ser mantidos até março de 2013. As regras valem para cerca de 20 mil itens do mercado farmacêutico, como antibióticos e remédios de uso contínuo. Medicamentos de alta concorrência no mercado, fitoterápicos e homeopáticos não estão sujeitos aos valores determinados pela CMED - seus preços podem variar de acordo com a determinação do fabricante.

Reação

Os valores de reajuste provocaram uma reação imediata do setor. O Sindusfarma divulgou nota mostrando preocupação com a determinação de reajuste negativo de 0,25%. Eles afirmam que a redução compromete a rentabilidade do setor e, com isso, a perspectiva de lançamentos de produtos e investimentos das empresas.

O cálculo de reajuste de remédios leva em conta uma série de fatores. O primeiro deles é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado entre março de 2011 e fevereiro de 2012. Além disso, é observada a competitividade de determinado remédio no mercado, avaliada pelo nível de participação de genéricos nas vendas do segmento.

Quanto maior a participação de genéricos nas vendas, maior o porcentual de reajuste. A composição do índice de reajuste observa também o ganho de produtividade. São fixadas três faixas de reajuste, que obedecem a esse critério.

O reajuste de preços não é imediato. Para aplicar o aumento, empresas produtoras de medicamentos deverão apresentar à CMED um relatório informando os porcentuais que querem aplicar. O valor fixado pela CMED é o teto. As empresas podem, portanto, fixar preços menores.
Fiocruz vai distribuir remédios para evitar rejeição de órgãos transplantados
 
Até então, o Ministério da Saúde importava o medicamento Tracolimo, um imunossupressor fundamental pós-cirurgia; com a produção nacional, país vai economizar cerca de R$ 240 milhões.

Agência Brasil

A partir desta terça, 20, a distribuição do medicamento Tracolimo, imunossupressor fundamental para evitar a rejeição de órgãos transplantados, sobretudo rins e fígado, será feita integralmente com tecnologia brasileira. A produção é fruto de parceria entre a Farmanguinhos, fábrica de medicamentos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e o laboratório nacional Libbs Farmacêutica.
Distribuição do remédio será feita integralmente com tecnologia brasileira
Cerca de 25 mil pessoas que fizeram transplantes precisam tomar esse medicamento diariamente e pelo resto da vida para diminuir a atividade do sistema imunológico, efeito necessário para contornar a rejeição ao órgão transplantado.

Antes, as cápsulas, oferecidas gratuitamente aos pacientes pelo Ministério da Saúde, eram importadas. Com a produção nacional, o País vai economizar cerca de R$ 240 milhões, de acordo com o diretor da Farmanguinhos, Hayne Felipe da Silva.

“No processo de parceria, que leva cinco anos, a Libbs vai produzir o medicamento e o insumo ativo, nos três primeiros anos, com a nossa marca, enquanto apreendemos o processo tecnológico e, a partir de 2015, a Farmanguinhos começa a produzir 50% da demanda (36 milhões de unidades). Ao fim da parceria, toda a produção demandada pelo Ministério da Saúde passará a ser da Fiocruz”.

Após o fim da parceria, a Libbs, que terá a tecnologia e o princípio ativo, poderá exportar o medicamento para outros países.

A primeira carga, com aproximadamente 6 milhões de unidades farmacêuticas, está sendo distribuída para as secretarias estaduais de Saúde.