Pesquisar Neste Blog

segunda-feira, 5 de março de 2012


Resolvido mistério de dois tipos sanguíneos raríssimos

Você provavelmente conhece seu tipo de sangue: A, B, AB ou O. Você pode até saber o seu fator Rhesus, ou seja, se você é Rh positivo ou negativo.
Mas e o seu tipo de sangue Langereis? Ou o tipo de sangue Júnior? É positivo ou negativo?
Não se preocupe: a maioria das pessoas nunca ouviu falar deles.
No entanto, esse conhecimento pode ser "uma questão de vida ou morte", diz Bryan Ballif, biólogo da Universidade da Vermont (EUA).
Tipo de sangue japonês
Embora os problemas de transfusão de sangue devido aos tipos sanguíneos Langereis e Júnior sejam raros em todo o mundo, várias populações étnicas estão em maior risco, destaca Ballif.
"Acredita-se que mais de 50.000 japoneses sejam Júnior negativo e podem ter problemas de transfusão de sangue ou de incompatibilidade mãe-feto," escreve ele.
Mas a base molecular destes dois tipos de sangue permanecia um mistério - até agora.
Ballif e seus colegas acabam de divulgar a descoberta de duas proteínas nos glóbulos vermelhas do sangue responsáveis por esses tipos menos conhecidos de sangue.
Resistência ao câncer
Foram identificadas duas moléculas que são proteínas especializadas de transporte, chamadas ABCB6 e ABCG2.
As últimas proteínas para esses grupos sanguíneos raros foram descobertas quase uma década atrás, conta Ballif, "por isso é bastante notável termos identificado duas apenas neste ano."
Ambas as proteínas agora identificadas estão também associadas com a resistência a drogas anti-cancerígenas, de modo que os resultados podem também ter implicações para o tratamento sobretudo do câncer de mama.
Tipos de sangue
Além do tipo sanguíneo ABO e do tipo Rh, a Sociedade Internacional de Transfusão de Sangue reconhece vinte e oito tipos de sangue adicionais, com nomes como Duffy, Kidd, Diego e Luterano.
Mas os tipos Langereis e Júnior não estão nesta lista.
Embora os antígenos para os tipos de sangue Júnior e Langereis (ou Lan) tenham sido identificados décadas atrás em mulheres grávidas com dificuldades para ter bebês com tipos sanguíneos incompatíveis, a base genética desses antígenos era desconhecida até agora.
Assim, "muito poucas pessoas sabem se são Langereis ou Júnior positivo ou negativo," diz Ballif.
"A transfusão de sangue para indivíduos com um anticorpo anti-Lan é altamente desafiadora," escreve a equipe de Ballif na revista Nature Genetics, "em parte devido à escassez de doadores compatíveis, mas principalmente por causa da falta de reagentes confiáveis para a triagem do sangue."
Doadores de sangue Júnior-negativos são extremamente raros também.
Exames de rotina
Isso pode mudar em breve.
Com os resultados deste novo estudo, os profissionais de saúde vão agora poder fazer exames mais rapidamente e com maior confiabilidade para estes tipos sanguíneos.
"Agora que conhecemos essas proteínas, isso irá se tornar um teste de rotina", concluem os pesquisadores.

Brasileiros transformam venenos de insetos em remédios

O Dr. Mário Sérgio Palma coordenou uma equipe multidisciplinar e multi-institucional que descobriu possíveis fármacos que serão testados contra condições como Alzheimer, Parkinson, epilepsia e diabetes, entre outras.[Imagem: Unesp]

Venenos que viram remédios



As toxinas produzidas por animais venenosos contêm compostos que podem ser aproveitados no desenvolvimento de uma ampla gama de fármacos e inseticidas.

Mas, para que isso seja possível, é preciso identificar compostos de interesse, desvendar suas estruturas moleculares, realizar a síntese das moléculas em laboratório e, por fim, realizar testes clínicos.

Durante quatro anos, um grupo de pesquisadores brasileiros se dedicou à identificação e elucidação da estrutura molecular de cerca de 200 peptídeos e proteínas, além de 140 pequenas moléculas encontradas no veneno de diferentes grupos de aranhas, vespas e outros artrópodes venenosos do Brasil.

O Projeto, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), foi coordenado por Mário Sérgio Palma, professor do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro (SP).

De neurotóxica a neuroprotetora

De acordo com Mário Sérgio, além de prospectar novas moléculas, os cientistas envolvidos com o projeto aprofundaram estudos dos mecanismos de ação das toxinas e ganharam experiência com novas técnicas de síntese de peptídeos e de pequenas moléculas.

"Fomos procurar, fundamentalmente, drogas que têm ação neurotóxica. Quando se compreende a estrutura e a ação dessas substâncias, com uma pequena modificação é possível fazer com que elas tenham ação neuroprotetora", explicou Mário Sérgio.

A estrutura das toxinas evoluiu para se adaptar à estrutura das células dos animais que deveriam ser atacados, ou dos quais era preciso se defender.

Assim, em geral, para compreender a ação da toxina, é preciso não apenas desvendar sua composição, mas entender todo o contexto no qual ela atua.

"Trabalhamos, por exemplo, com dois tipos de aranhas: as construtoras de teias aéreas e as errantes - que vivem no solo e caçam. A composição dos venenos de cada uma delas é muito diferente, já que são utilizados com finalidades e estratégias distintas", disse Mário Sérgio.
As aranhas do gênero Nephila, que fazem grandes teias amareladas e douradas, foram o primeiro alvo dos estudos. [Imagem: Wikipedia]
Inseticidas poderosíssimos

As toxinas das aranhas que vivem longe do chão têm poucas proteínas e peptídeos, mas são cheias de pequenas moléculas orgânicas muito parecidas com as toxinas das plantas.

As aranhas do gênero Nephila, que fazem grandes teias amareladas e douradas, foram o primeiro alvo dos estudos.

"As gotículas viscosas na teia das Nephilaservem para prender pequenos insetos e também para lubrificar e favorecer a flexibilidade da teia. São compostas de um conjunto de vesículas feitas de lipídios por fora e preenchidas com toxinas", disse.

Os cientistas estudaram como esses lipídios reagem com o exoesqueleto dos insetos presos pelo visgo, removendo a cera que o protege e colocando-o em contato com as neurotoxinas, paralisando o animal.

"Essas substâncias são inseticidas poderosíssimos. Encontramos ali moléculas interessantes, que são alcaloides retirados pelas aranhas de suas presas, que por sua vez os sequestram dos alcaloides das plantas. Uma vez que a aranha obtém o alcaloide, ela introduz modificações em sua estrutura, produzindo as neurotoxinas", explicou Mário Sérgio.

Epilepsia

Essas aranhas só consomem proteína fresca, por isso não matam as presas. É preciso injetar nos insetos um veneno paralisante, guardando-o para os momentos de fome.

Além disso, a aranha produz toxinas diferentes de acordo com o período do ano, sempre de forma coerente com o tipo de presa disponível.

"Observamos que as toxinas usadas para provocar a paralisia produzem muitas estruturas químicas diferentes. Nesse grupo de aranhas, elucidamos a estrutura de 106 moléculas", contou o coordenador do projeto.

Três das toxinas descobertas, que causam paralisia transitória, mostraram-se especialmente interessantes quando testadas no sistema nervoso de ratos e camundongos.

"Usamos modelos de epilepsia e descobrimos que essas três drogas têm efeitos antiepiléticos promissores. Um trabalho sobre isso foi publicado na revista Brain Research", disse Mário Sérgio.

O modelo se mostrou tão promissor que o grupo estabeleceu uma parceria com o professor Jaderson da Costa, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), para testá-lo em modelos in vitro de tecido de cérebros humanos com epilepsia refratária.
Moléculas produzidas pela aranha-do-cerrado (Parawixia bistriata) poderão ter usos contra Alzheimer e Parkinson. [Imagem: USP/Espaço Aberto]
Doenças neurodegenerativas

Os aspectos evolucionários convergentes entre plantas e aranhas também foram estudados nas chamadas aranhas coloniais, como a Parawixia bistriata, que fazem teias em plantas do gênero Banisteriopsis.

Diferentemente das Nephila, que têm teias perenes, essas outras produzem as teias e as destroem diariamente.

"Encontramos um grande volume de alcaloides no veneno dessas aranhas e passamos a estudar o mecanismo de ação dessas moléculas, que provocam convulsões quando aplicadas em camundongos, ratos e coelhos. Descobrimos que o mecanismo envolve os canais de cálcio dos neurônios", contou Mário Sérgio.

Em doenças como Parkinson e Alzheimer, os neurônios degenerados têm um defeito morfológico que mantêm seus canais de cálcio abertos permanentemente, provocando uma metilação ininterrupta que causa tremores.

"O envenenamento produzido pela aranha tem um efeito muito parecido. Mapeamos o cérebro dos animais intoxicados e, com um marcador, localizamos a região onde a toxina se acumula. Verificamos que ela produz a morte do animal por excesso de íons cálcio", afirmou Mário Sérgio.

Droga antiepilética

Entre o grupo das aranhas que vivem no solo, como as armadeiras, o grupo da Unesp isolou uma substância com estrutura química pouco comum na natureza. Trata-se de um composto não peptídico, não proteico, de baixa massa molecular e que aparentemente não tem toxicidade, mas atua sobre os canais iônicos.

"Testamos a substância no laboratório da PUC-RS, em ratos, e descobrimos que se trata de uma droga antiepilética ainda mais potente que a anterior. Estamos aguardando a autorização para realizar estudos em modelos humanos", disse.

Os pesquisadores descobriram também, em vespas, uma neurotoxina capaz de paralisar e matar alguns insetos, ao agir no receptor de glutamato - uma classe de moléculas que recebem o principal neurotransmissor que estimula o cérebro.

"Há várias subfamílias e subtipos de vespas. Em um deles, descobrimos essa droga, que existe de forma modificada no sistema nervoso de mamíferos. Esse composto se mostrou um potente inibidor de crises epiléticas em modelos animaisin vitro. Trabalhamos agora no processo de síntese dessa substância e estamos aguardando autorização para administrá-la em modelos animais in vivo", disse Mário Sérgio.

Anfetaminas e soro contra veneno

No veneno das vespas da espécie Polybia paulista, conhecidas como "paulistinhas", o grupo de cientistas encontrou uma substância do grupo fenilmetilamina, semelhante a drogas utilizadas para controlar o apetite.

"A substância é um isômero estrutural de certas anfetaminas usadas para o controle do apetite e proibidas no Brasil. É parecida também com as drogas ilegais usadas em raves", disse Mário Sérgio.

No veneno de abelhas, os cientistas da Unesp descobriram grandes moléculas com notável reatividade a anticorpos da imunoglobulina.

Segundo Mário Sérgio, nunca se conseguiu produzir um soro para veneno de abelhas, pois o mecanismo de ação do veneno era desconhecido.

"Elucidamos a composição das proteínas do veneno e conseguimos entender todas as etapas do processo de envenenamento. A partir daí, fizemos uma parceria com a divisão de soros do Instituto Butantan e com o grupo de Imunologia do Instituto do Coração (Incor) e produzimos o soro. Temos agora a primeira patente de soro de veneno de abelha do mundo, que já foi outorgada. Estamos transferindo o know-how para a divisão de produção de soro do Butantan para planejar a produção em escala", disse.

Diabetes

Na vertente do projeto voltada aos peptídeos, duas substâncias isoladas a partir de venenos de vespas tiveram destaque especial: peptídeos antibióticos e uma nova família de peptídeos muito pouco conhecida até agora, com ação potente em células pancreáticas.

O trabalho foi feito em parceria com o professor Everardo Magalhães Carneiro, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), especialista em diabetes.

"Pode ser um modelo interessante para ajudar em certos casos de diabetes que são provocados pelo fato de a glândula produtora de insulina não conseguir secretar a substância. Talvez esses peptídeos sejam adjuvantes interessantes para auxiliar a liberação natural de insulina", afirmou Mário Sérgio.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Cientistas descobrem "chave geral" do sistema imunológico

Uma proteína, chamada TMED7, pode desativar uma parte do nosso sistema imunológico, o que ocorre naturalmente quando uma infecção acaba de ser eliminada.
Chaves de reforço

Cientistas descobriram que o sistema imunológico possui uma série de "chaves liga-desliga".

Eles afirmam que essas chaves poderão ser reforçadas para tratar doenças causadas pela super-ativação do sistema imunológico, ou bloqueadas, para melhorar as vacinas.

O "reforço" de uma chave faz sentido porque os mecanismos descobertos estão presentes nas células, o que levaria a um modo de ação baseado na ativação ou desativação do mecanismo em um maior número de células.

Desligando o sistema imunológico

Uma equipe da Universidade de Dublin, na Irlanda, descobriu que uma proteína, chamada TMED7, pode desativar uma parte do nosso sistema imunológico, o que ocorre naturalmente quando uma infecção acaba de ser eliminada.

"Sem esses sinais de parada, como a TMED7, nosso sistema imunológico continuaria a agir, de forma descontrolada, eventualmente levando a doenças como o choque séptico," explica a Dra. Anne McGettrick.

Segundo ela, a manipulação dessas "chaves" pode acalmar nosso sistema imunológico, evitando que ele ataque nossos próprios corpos, como no caso das doenças autoimunes.

Por outro lado, tentativas de criar vacinas contra a malária e o HIV, por exemplo, têm falhado porque o sistema imunológico não ativa uma resposta forte o suficiente à vacina, o que a torna ineficaz para gerar imunidade.

"Remover a TMED7 das nossas células poderia ajudar a reforçar nossa resposta imunológica às vacinas, tornando-as assim mais eficazes," diz a Dra. Sarah Doyle, principal autora da pesquisa.
Chave geral do sistema imunológico: macrófagos humanos marcados com um corante ligado a anticorpos que se ligam à proteína IRF5.

Chave geral do sistema imunológico

Mas uma outra equipe, do Imperial College de Londres, fez uma descoberta ainda mais radical.

Eles afirmam ter identificado uma proteína, chamada IRF5, que é uma espécie de "chave geral" do sistema imunológico.

Essa proteína está presente em glóbulos brancos específicos, determinando se eles promovem ou inibem as inflamações.

As respostas inflamatórias são uma defesa importante que o organismo utiliza contra os estímulos nocivos, tais como infecções ou danos a tecidos.

Contudo, em várias situações, a inflamação excessiva pode prejudicar o próprio corpo. Na artrite reumatoide, por exemplo, que envolve uma inflamação excessiva, as articulações ficam inchadas e doloridas. Mas as razões por que isso acontece não são bem compreendidas.

Células do sistema imunológico, chamadas macrófagos, podem estimular ou suprimir a inflamação através da liberação de sinais químicos que alteram o comportamento de outras células.

O que a equipe da Dra. Irina Udalova descobriu é que a proteína IRF5 atua como um interruptor molecular que controla se os macrófagos promovem ou inibem a inflamação.

Os resultados sugerem que bloquear a produção da IRF5 nos macrófagos pode ser uma forma eficaz de tratar uma ampla gama de doenças auto-imunes, como artrite reumatoide, doença inflamatória intestinal, lúpus e esclerose múltipla.

Por outro lado, aumentar os níveis de IRF5 pode ajudar a tratar as pessoas cujo sistema imunológico está comprometido.

Novo tratamento reduz efeitos colaterais da radioterapia

Toxicidade da radioterapia

Médios da Universidade de Granada (Espanha) criaram uma nova técnica de aplicação da radioterapia que, segundo eles, é "muito menos tóxica do que a que se emprega atualmente".

A toxicidade a que Miguel Martínez Carrillo e seus colegas se referem é o nível de radiação a que ficam sujeitas áreas do corpo saudáveis, que não precisam do tratamento, provocando efeitos colaterais tão intensos que podem exigir a interrupção do tratamento.

O novo aparelho permite que a radiação seja dirigida apenas às áreas cujas células estão afetadas pelo câncer.

Protocolo para radioterapia

Os cientistas espanhóis desenvolveram um protocolo de tratamento para demonstrar que os cânceres da cavidade oral e da faringe, que precisam de quimioterapia ou radioterapia pós-operatórias, podem ter a intensidade desses tratamentos diminuídos de forma apreciável sem comprometer sua eficácia.

Mais de 70% dos cânceres orais e de faringe exigem a radioterapia pós-operatória - uma quantidade menor exige também a quimioterapia.

Esses tratamentos são "tremendamente tóxicos", dizem os cientistas, sobretudo pela ulceração das mucosas da boca e da faringe - é comum a necessidade da interrupção do tratamento pela gravidade dos efeitos colaterais, diminuindo as possibilidades de cura dos pacientes.

Mapa de risco

O novo protocolo envolve o desenvolvimento de um "mapa de risco" para as diversas áreas potencialmente atingidas pelo câncer e submetidas à cirurgia.

Com este mapa, os pesquisadores espanhóis demonstraram que é possível reduzir sensivelmente o volume de tecido que recebe a radiação, desta forma minimizando os efeitos colaterais.

Ao longo de três anos de testes do novo protocolo, a equipe conseguiu chegar ao fim do tratamento de radioterapia, sem interrupções, em 95% dos pacientes - 44% deles tiveram diminuição no volume de tecido tratado em relação ao tratamento convencional.

A quantidade de recidivas - volta do câncer após o tratamento - foi equivalente ao do tratamento convencional.

Desvendado segredo dos vermes imortais

As planárias têm surpreendido os cientistas por sua capacidade aparentemente ilimitada para se regenerar.
Planárias Highlander

Pesquisadores da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, demonstraram como uma espécie de verme supera o processo de envelhecimento para ser potencialmente imortal.

A descoberta pode abrir possibilidades de atenuar características das células humanas relacionadas com a idade e o envelhecimento.

As planárias têm surpreendido os cientistas por sua capacidade aparentemente ilimitada para se regenerar.

"Estamos estudando dois tipos de planárias: aquelas que se reproduzem sexualmente, como nós, e aquelas que se reproduzem assexuadamente, simplesmente dividindo-se em duas. Ambas parecem se regenerar indefinidamente, crescendo novos músculos, pele, vísceras e até mesmo o cérebro inteiro," diz o Dr. Aziz Aboobaker coordenador da pesquisa.

"Normalmente, quando as células-tronco se dividem - para curar ferimentos, ou durante a reprodução ou o crescimento - elas começam a mostrar sinais de envelhecimento. Isto significa que as células-tronco não são mais capazes de se dividir e assim tornam-se menos capaz de substituir as células especializadas dos tecidos de nossos corpos.

"O envelhecimento da nossa pele é talvez o exemplo mais visível desse efeito. As planárias e suas células-tronco são de alguma forma capazes de evitar o processo de envelhecimento e para manter as células em divisão," completa.

Telômeros

Um dos eventos associados com o envelhecimento celular está relacionado com o comprimento dos telômeros.

Para crescer e funcionar normalmente, as células devem se dividir para substituir aquelas que estão desgastadas ou danificadas. Durante este processo de divisão, cópias do material genético devem passar para a próxima geração de células.

A informação genética dentro das células é organizada em fitas trançadas de DNA chamadas cromossomos. No final destas fitas fica uma "tampa" de proteção, chamada telômero.

Os telômeros foram comparados à ponta protetora de um cadarço de sapato, que impede que os fios se soltem.

Cada vez que uma célula se divide, o telômero fica mais curto. Quando ficam curtos demais, a célula perde a capacidade de se renovar e dividir.

Em um animal imortal, seria de se esperar, portanto, que as células fossem capazes de manter o comprimento dos telômeros indefinidamente, de modo a poderem continuar a se replicar.
O segredo da imortalidade para seres que se produzem sexualmente, como nós, continua exatamente assim, um segredo.
Em busca da imortalidade

Coube ao Dr. Thomas Tan realizar uma série de experiências desafiadoras para explicar a imortalidade das planárias.

Trabalhos anteriores, que levaram ao Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2009, mostraram que os telômeros podem ser mantidos pela atividade de uma enzima chamada telomerase.

Na maioria dos organismos, a enzima é mais ativa somente durante o desenvolvimento inicial, na juventude do organismo. Então, à medida que envelhecemos, os telômeros começam a apresentar uma redução no seu comprimento.

O que os pesquisadores encontraram agora foi uma versão da planária do gene que codifica esta enzima.

Para confirmar a descoberta, eles desativaram sua atividade, o que fez com que o comprimento dos telômeros das planárias começasse a se reduzir, como ocorre nos "mortais comuns".

Mas, por enquanto, a descoberta só vale para as planárias que se reproduzem assexuadamente.

Ou seja, o segredo da imortalidade para seres que se produzem sexualmente, como nós, continua exatamente assim, um segredo.