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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Técnica menos invasiva garante marcapasso para recém-nascido

Brayan Alves Farias, de sete meses, começou sua vida em sério risco. Enquanto ele ainda estava no útero, um ultrassom revelou que seu coração tinha um bloqueio elétrico, isto é, batia muito mais devagar (60 batimentos por minuto) do que o ideal (cerca de 120 bpm).

Brayan Alves Farrias, de sete meses, é submetido a exame para checar o marcapasso, em hospital de SP
Brayan Alves Farrias, de sete meses, é submetido a exame para checar o marcapasso, em hospital de SP

Especial da Semana do Coração
"Isso poderia levar ao aborto ou à insuficiência cardíaca, que causa inchaço nos órgãos. O fígado e o coração já estavam aumentados", diz o cardiologista José Carlos Pachón, do Hospital do Coração, onde Brayan nasceu.

A solução foi colocar um marcapasso, que vai regular os batimentos cardíacos do menino por toda sua vida.

Pachón, seu irmão Enrique Pachón e sua equipe desenvolveram um método menos invasivo de colocação de marcapasso em crianças, sem necessidade de cortar e afastar as costelas para instalar os fios do aparelho.

Em vez disso, o eletrodo é passado por uma veia abaixo do ombro até o coração, onde é parafusado. O outro lado do fio fica embaixo da pele e vai até o aparelho, que é colocado embaixo do músculo, no abdome. É neste local onde é feito o maior corte necessário para esse procedimento.

"Em crianças com menos de 12 kg que precisam de marcapasso, a rotina é a abertura do tórax, uma cirurgia traumática. Nossa técnica é minimamente invasiva", afirma o José Carlos Pachón.

PARA DURAR
Um marcapasso é trocado, em geral, a cada oito anos. Em crianças, são cinco anos, porque o aparelho tem de bater mais vezes por minuto.

A colocação em bebês tem um desafio a mais porque eles crescem muito rápido, o que vai deixando os fios "curtos" demais. Para evitar novas intervenções por causa disso, os cirurgiões deixam sobras de fio enrolado dentro do corpo do bebê. À medida que ele cresce, o fio se solta. A manutenção do marcapasso é feita de seis em seis meses.

A primeira consulta de Brayan foi na quinta passada. "Ele é lindo, saudável e nem dá para perceber que tem marcapasso", diz a mãe, Antonia Alves Pedrosa, 34.

Ela soube na gravidez que tinha lúpus. Mulheres com a doença autoimune têm 7% de risco de gerar bebês com bloqueio elétrico no coração. Sem marcapasso, só 11% das crianças com o problema, que atinge um em 20 mil bebês, chegam à vida adulta.

Nanotecnologia usa fios de ouro para remendar o coração

Nanotecnologia usa fios de ouro para reparar coração de ataque cardíaco
Os nanofios de ouro dão suporte para as células cultivadas em laboratório e garantem que elas vão bater no ritmo correto.


Costurando com fios de ouro
Uma equipe de físicos, engenheiros e cientistas dos materiais usaram a nanotecnologia e minúsculos fios de ouro para criar um novo "remendo" para o coração.
Não se trata apenas de um curativo, mas de um remendo mesmo, completo, formado por células vivas cultivadas em laboratório - um pedaço de tecido artificial.
Quando implantadas no coração - por exemplo, no caso de um ataque cardíaco - as células entram em sincronia com as células nativas do coração e se integram ao órgão, efetivamente corrigindo os danos causados pela isquemia.
Nanotecnologia para o coração
A equipe do Hospital Infantil de Boston e do MIT, ambos nos EUA, descobriu que a adição de nanofios de ouro às células cardíacas cultivadas em laboratório torna o tecido eletricamente condutor, melhorando o desempenho do tecido artificial implantado.
"Se você não tiver os nanofios de ouro, e estimular o remendo cardíaco com um eletrodo, as células vão bater no ritmo correto somente enquanto você as estiver estimulando," explica o Dr. Daniel Kohane, coordenador da pesquisa.
"Com os nanofios, observamos uma grande quantidade de células contraindo juntas, mesmo depois que a estimulação foi retirada. Isto mostra que o tecido está conduzindo [os pulsos elétricos]," diz ele.
Após a incubação das células, essas porções de tecido artificial guarnecidas com os nanofios de ouro ficam mais grossas e as células melhor organizadas, facilitando o implante.
E a condutividade elétrica significa que elas vão bater em sincronia com as demais células do coração.
Cérebro e medula espinhal
Kohane acredita que esta nanotecnologia poderá ser aplicada na construção de qualquer tecido eletricamente excitável, incluindo tecidos do cérebro e da medula espinhal.
O ouro foi escolhido por ser um excelente condutor elétrico e por ser tolerado pelo corpo humano.
Cada nanofio tem 30 nanômetros de diâmetro e entre 2 e 3 micrômetros de comprimento - com alguma dificuldade é possível vê-los a olho nu.
Os testes foram feitos em cultura e, a seguir, os cientistas vão implantar os remendos em animais, o primeiro passo para que a descoberta se transforme em um tratamento médico.
Remendos para o coração
Outros remendos para o coração já estão começando a entrar na fase de testes clínicos, a última etapa para que possam estar disponíveis aos pacientes.
Recentemente, pesquisadores da Universidade de Washington criaram um suporte biocompatível capaz de dar a sustentação necessária ao crescimento e a integração de células-tronco derivadas de células do músculo cardíaco.
Uma equipe da Universidade de Duke, por sua vez, criou um remendo tridimensional usando cardiomiócitos, um tipo de células do coração.

Proteína pré-histórica é ressuscitada para agir como antibiótico


Antibiótico pré-histórico
Biólogos ressuscitaram um composto químico usado pelo sistema imunológico de mamíferos que viveram logo após a extinção dos dinossauros.
Seu objetivo é usar esse composto como um antibiótico para destruir bactérias multirresistentes, contra as quais os antibióticos atuais não são mais eficazes.
Como as bactérias atuais nunca foram expostas a esse composto pré-histórico, elas não desenvolveram resistência a ele.
E os primeiros resultados foram animadores.
Sistema imunológico inato
Os cientistas tentam encontrar novas armas contra as bactérias no sistema imunológico inato - aquele que os bebês nascem com ele, não dependendo ainda de sua exposição ao meio ambiente.
Esse sistema de defesa costuma ser o mais forte possível.
É claro que, no caso destas pesquisas, quando se fala de "bebês", estamos falando de filhotes das cobaias usadas pelos cientistas.
O problema é que os animais com sistema imunológico inato mais forte não são parentes próximos do homem.
Com isto, se os compostos antibacterianos forem retirados dos animais e aplicados no homem, eles tendem a ser tóxicos.
Voltando no tempo
Ben Cocks e seus colegas da Universidade La Trobe, na Austrália, não se deram por vencidos.
Segundo ele, os problemas podem ser superados se conseguirmos retornar no tempo, recuperando o projeto básico do sistema imunológico inato, aquele que já estava presente em uma etapa mais longínqua da evolução.
Mas, em vez de uma abordagem similar à do Parque dos Dinossauros, os cientistas apelaram para a engenharia genética, dispensando o uso de qualquer fóssil.
Bolsa da mamãe
O grupo encontrou um sistema de defesa extremamente forte na bolsa dos cangurus (Macropus eugenii).
O pequeno filhote, quase uma larva, nasce com 26 dias de gestação e vai para a bolsa da mãe.
Mas a bolsa da mamãe-canguru está longe de ser um lugar limpo: os cientistas encontraram lá até mesmo as bactérias multirresistentes que infestam muitos hospitais.
E, como nasce tão rapidamente, o filhote de canguru ainda não possui um sistema imunológico adaptativo, devendo contar unicamente com o seu sistema imunológico inato para se defender nesse ambiente pouco higiênico.
Engenharia genética reversa
Depois de muito procurar, Cock e seus colegas encontraram no filhote de canguru um gene que codifica 14 peptídeos conhecidos como catelicidinas - um componente do seu sistema imunológico inato.
A equipe percebeu que os genes em cinco das catelicidinas eram incrivelmente similares, o que aponta, segundo eles, para um ancestral comum. "Nós imaginamos que a forma ancestral deveria ter uma atividade de largo espectro," contou o cientista.
Usando as diferenças entre os cinco peptídeos, os cientistas fizeram uma engenharia genética reversa, voltando no tempo para descobrir a sequência genética do peptídeo original.
Finalmente, eles conseguiram produzir uma versão sintética desse peptídeo original, efetivamente "ressuscitando" um composto já deixado para trás pela evolução.
Antibiótico ressuscitado
Os cientistas calculam que sua versão sintética deve corresponder à defesa usada pelos mamíferos há 59 milhões de anos, quando eles ainda estavam começando a dominar a Terra, depois da extinção dos dinossauros.
"O mais incrível de tudo é que o peptídeo funcionou bem contra uma grande quantidade de patógenos," disse o cientista.
Os testes de laboratório confirmaram que o composto pré-histórico ressuscitado destruiu seis das setes bactérias multirresistentes conhecidas.
O composto mostrou-se de 10 a 30 vezes mais potente do que os antibióticos modernos, como a tetraciclina.
Os cientistas ainda não fizeram testes sobre a toxicidade do novo composto em humanos.

Café diminui incidência de depressão entre mulheres


Cafeína contra a depressão
Médicos da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, concluíram que mulheres que tomam dois ou mais copos de café por dia têm menor risco de terem depressão.
Este efeito não ocorre caso as mulheres tomem o café descafeinado.
Por isso, embora não tenham descoberto o mecanismo exato de atuação do café, os cientistas especulam que a cafeína provavelmente induza alguma alteração na química do cérebro que diminui a ocorrência da depressão.
O estudo "Café, Cafeína, e o Risco de Depressão Entre Mulheres" foi publicado nesta segunda-feira no periódico científico Archives of Internal Medicine.
Risco de depressão
Os pesquisadores acompanharam 50.739 mulheres durante 10 anos. O consumo de café foi aferido no início e no fim do estudo e em duas medições intermediárias.
Nesse período, 2.607 mulheres apresentaram quadros depressivos.
As participantes que tomavam de dois a três copos de café por dia tiveram um risco 15% menor de apresentarem depressão - em comparação com aquelas que tomavam um copo ou menos por semana.
Aquelas que tomavam quatro ou mais copos de café por dia tiveram um risco 20% menor.
Prevenção da depressão
Mas é muito cedo para recomendar que as mulheres devam aumentar seu consumo de café como um preventivo para a depressão.
"Serão necessárias mais pesquisas para confirmar esta descoberta e para determinar se o consumo de café cafeinado pode ajudar na prevenção da depressão," escrevem os pesquisadores.
Um dos riscos é que a cafeína é um estimulante. E pessoas com alterações de humor frequentemente apresentam também problemas de sono, o que seria agravado pela ingestão de doses maiores de cafeína.

Cientistas revertem envelhecimento de células-tronco adultas


Rejuvenescimento de células-tronco
Pesquisadores conseguiram reverter o processo de envelhecimento de células-tronco humano adultas.
São essas células as responsáveis pela recuperação e regeneração dos tecidos danificados no corpo humano, ao longo da vida e durante acidentes.
A descoberta dá esperanças de que seja possível desenvolver tratamentos médicos que possam reparar danos que ocorrem no organismo durante o processo de envelhecimento.
Poder regenerativos
O poder regenerativo dos tecidos e órgãos diminui conforme envelhecemos.
Os cientistas levantam a hipótese de que os organismos vivos apresentam uma queda de vitalidade que é diretamente relacionada com o envelhecimento das suas células-tronco específicas de cada tecido.
Por isso eles tentam compreender os processos que iniciam uma auto-renovação das células-tronco adultas. Se elas puderem ser postas para novamente se dividir e proliferar, isso poderá induzir à regeneração do organismo.
Esta pesquisa é um primeiro passo promissor nesse sentido.
Telômeros
Os cientistas desconfiaram que o processo de envelhecimento das células-tronco adultas é diferente do envelhecimento das células comuns do organismo.
Isso porque as células comuns sofrem um encurtamento contínuo da seção final dos seus cromossomos, os chamados telômeros. Mas as células-tronco adultas não sofrem esse encurtamento dos telômeros.
"Nós descobrimos que a maioria dos danos ao DNA e alterações associadas à cromatina que ocorrem nas células-tronco adultas estão ligadas a uma região do genoma conhecida como retrotranspósons," explica King Jordan, do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos.
Os retrotranspósons já foram chamados de DNA-lixo, porque não se sabia para o que eles serviam.
Revertendo o envelhecimento
"Nós demonstramos que somos capazes de reverter o processo de envelhecimento das células-tronco adultas mexendo com a atividade de RNAS não-codificadores de proteínas originados de regiões genômicas até agora consideradas como não-funcionais," explica a Dra. Victoria Lunyak, coautora da pesquisa.
"Suprimindo a acumulação dos transcriptos tóxicos gerados pelos retrotranspósons nós conseguimos reverter o processo de envelhecimento das células-tronco adultas humanas," diz Lunyak.
Os experimentos foram feitos em cultura celular de laboratório.
Agora os cientistas querem descobrir se as células-tronco rejuvenescidas são adequadas para uso clínico na reparação de tecidos.