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sexta-feira, 18 de março de 2011

Simpósio Internacional Relações Médico-Científicas entre Brasil e Alemanha

Agenda Fiocruz - Março 2011 21/03 a 26/03

SEGUNDA-FEIRA: 21/3

I Seminário sobre gestão e curadoria de coleções zoológicas da Fiocruz.
Inscrições de 2 a 11/3: 25 vagas.
Horário: 8h15
Local: auditório Emmanuel Dias / Pavilhão Arthur Neiva / IOC
O evento ocorre até o dia 25/3.

Defesa de dissertação de mestrado profissionalizante em saúde pública na Ensp: Diagnóstico situacional das doenças relacionadas ao trabalho em profissionais de enfermagem do Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro/Porto Velho. Por Tatiana Tomoe Do Martins. Orientadora: Rejane Corrêa Marques.
Horário: 9h
Local: sala de aula da Unir

TERÇA-FEIRA: 22/3

Defesa de dissertação de mestrado em saúde pública na Ensp: Estudo sobre o processo de medicalização de crianças no campo da saúde mental em um serviço de atenção básica no município do Rio de Janeiro. Por Valéria Nogueira Leal Sanches. Orientador: Paulo Duarte de Carvalho Amarante.
Horário: 9h30
Local: sala 410 da Ensp

Defesa de dissertação de mestrado em biologia parasitária no IOC: Avaliação de diferentes coletores de fluido oral para detecção da resposta imune humoral contra o vírus da hepatite A e sua aplicação em estudo epidemológico em áreas de dificil acesso. Por Renata Tourinho Santos. Orientadora: Vanessa Salete de Paula.
Horário: 10h
Local: auditório Maria Deane / Pavilhão Leônidas Deane / IOC

QUARTA-FEIRA: 23/3

Seminário internacional na COC: Relações médico-científicas entre Brasil e Alemanha – história e perspectivas.
Horário: 9h
Local: auditório do Museu da Vida
O evento continua até 25/3.

Palestra internacional na Ensp: O cenário epidemiológico das micro bactérias não tuberculosas (MNTB) nos Estados Unidos. Por Rebecca Prevots, responsável pela unidade epidemiológica do National Institute of Health (NIH).
Horário: 11h
Local: auditório do Centro de Referência Prof. Hélio Fraga / Ensp

Defesa de dissertação de mestrado profissionalizante em saúde pública na Ensp: Caracterização epidemiológica da Leishmaniose Tegumentar Americana no município de Rio Branco-Acre no período de 2000 a 2008. Por Ana Cristina Miranda de Oliveira. Orientador: Valmir Laurentino Silva.
Horário: 13h
Local: sala 24 do DCB / Ensp

Centro de estudos da Ensp: exibição do documentário Positivas seguido de debate com a diretora Susanna Lira, mediado pela pesquisadora Angela Escher, da Ensp.
Horário: 14h
Local: Salão Internacional da Ensp

QUINTA-FEIRA: 24/3

Encontro às quintas na COC: O Alufá Rufino – tráfico, escravidão e liberdade no Atlântico Negro. Por João José Reis, da UFBA, e Flávio dos Santos Gomes, da UFRJ.
Horário: 10h
Local: sala 407 do Prédio da Expansão

SEXTA-FEIRA: 25/3

Centro de estudos do IOC: Coleções biológicas da Fiocruz – reconhecimento e expectativa institucionais. Por Claude Pirmez, vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz – evento integrado ao I Seminário sobre gestão e curadoria de coleções zoológicas da Fiocruz.
Horário: 10h
Local: auditório Emmanuel Dias / Pavilhão Arthur Neiva / IOC

SÁBADO: 26/3

Encontro Mulher Manguinhos da Ensp.
Horário: 13h
Local: Colégio Estadual Compositor Luiz Carlos da Vila

Novo biofármaco pode aprimorar o tratamento do diabetes

 Nanopartícula de amilina humana no microscópio eletrônico: hormônio é a base do novo medicamento para diabetes

Um biofármaco que acaba de ser desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – e que já teve seu pedido de patente depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) – pode representar um novo caminho para tornar o tratamento do diabetes mais eficaz. O medicamento, produzido no Laboratório de Biotecnologia Farmacêutica da universidade (BiotecFar), é baseado em um sistema de liberação prolongada de amilina humana e tem como objetivo oferecer aos diabéticos um melhor controle da glicemia.

Trocando em miúdos, a amilina é um hormônio produzido naturalmente no pâncreas (pelas células beta), que desempenha um papel fundamental em diversos órgãos, inclusive para equilibrar os níveis de glicose. Este hormônio é cosecretado com a insulina, exercendo conjuntamente papéis importantes na regulação metabólica. "Mesmo pacientes diabéticos que fazem uso da insulina possuem dificuldades de controle dos níveis de glicose no sangue", explica o professor da UFRJ Luís Maurício Lima, coordenador do projeto que teve início em 2009.

Atualmente, o tratamento para diabetes leva em conta apenas a reposição de insulina, deixando de lado a reposição da amilina. Isso ocorre devido à dificuldade de desenvolver medicamentos a base de amilina humana, que é bastante insolúvel. "Ao contrário da insulina, que é livremente solúvel, a amilina humana tem um problema de agregação protéica, que inclusive é causa de diabetes amiloidogênica e ainda a razão da dificuldade de usar o hormônio natural terapeuticamente", afirma o farmacêutico.

Para contornar esse obstáculo e desenvolver o novo medicamento, os pesquisadores do BiotecFar/UFRJ recorreram a um minucioso trabalho de nanobiotecnologia farmacêutica. No laboratório, eles encapsularam nanopartículas de amilina humana em partículas poliméricas biocompatíveis. Por serem tão pequenas, elas podem ser facilmente administradas por injeção subcutânea ou intramuscular e por terem como base polímeros biocompatíveis são naturalmente degradadas e eliminadas pelo organismos. Apesar de continuarem insolúveis, formam um depósito que vai se degradando aos poucos no local de aplicação. "Produzimos nanopartículas contendo amilina humana de 200 nanômetros, que é uma medida equivalente a cerca de um milionésimo de metro", conta Lima.
O farmacêutico Luís Maurício Lima (esq.) e o doutorando Luiz enrique Guerreiro, no BiotecFar/UFRJ: trabalho minucioso








Uma vantagem do uso de nanopartículas é a liberação contínua e lenta da amilina humana. Esta característica permite que as aplicações de amilina humana, sejam por injeções intramuscular ou subcutânea, não precisem ser diárias. "Esse detalhe é importante para manter a qualidade de vida do paciente diabético que já recebe doses diárias de insulina. Assim, o paciente não precisaria receber mais injeções diárias, de análogos solúveis de amilina, o que tornaria o tratamento mais desconfortável e menos próximo ao fisiológico por não se tratar da amilina humana. Podemos programar aplicações semanais ou até mensais", destaca o professor. "A ideia é que a reposição de amilina humana seja um tratamento complementar à reposição de insulina, para potencializar o controle da glicemia", completa.

O medicamento desenvolvido pelo projeto, que contou com apoio da FAPERJ por meio dos editais Jovem Cientista do Nosso Estado e Apoio às Instituições de Ensino e Pesquisa Sediadas no Estado do Rio de Janeiro, é uma alternativa ao uso de outro medicamento disponível no mercado americano para reposição da amilina: o pramlintide. "A diferença é que o pramlintide não é encontrado naturalmente no corpo e, por isso, pode causar alguns efeitos colaterais indesejados. Ele é uma substância análoga da amilina humana com alguns aminoácidos modificados para se tornar solúvel. Já a proposta da nossa equipe é oferecer um medicamento totalmente biocompatível", pondera Lima.

Apesar do sucesso dos testes de controle de glicemia em camundongos, realizados no Laboratório de Biotecnologia Farmacêutica da universidade, ainda não há previsão de quando será possível viabilizar a chegada da amilina humana ao mercado. "Estamos em busca de parcerias com indústrias farmacêuticas e agências de fomento para realizar testes clínicos em humanos e, posteriormente, inserir o novo medicamento no mercado", conclui. Além do professor Luís Maurício Lima, fazem parte da equipe o doutorando do Programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas Luiz Henrique Guerreiro e os professores da Faculdade de Farmácia Eduardo Ricci e Mauro Sola Penna.

Sobre o diabetes

O diabetes é uma doença metabólica caracterizada pela redução da quantidade de insulina secretada pelo pâncreas ou pela diminuição da sensibilidade do organismo à ação da insulina, o que eleva a quantidade de açúcar no sangue (hiperglicemia). Ele já é considerado uma epidemia associada à obesidade. De acordo com estatística divulgada pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), um novo caso surge a cada cinco segundos no mundo. Cerca de 250 milhões de pessoas em todos os países tem diabetes e a projeção feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para o ano de 2030 é que esse número dobre. No Brasil, segundo a SBD, pelo menos 10 milhões de pessoas têm a doença – o equivalente a 5,9% da população brasileira.

Uenf disponibiliza diagnóstico rápido para doenças genéticas

Para Medina-Acosta, uma das grandes vantagens do novo teste é a rapidez com que fornece os resultados

Assim que aparecem os primeiros sinais e sintomas de uma doença, qualquer paciente deseja saber o diagnóstico imediatamente. Para os moradores de Campos dos Goytacazes e arredores, esse anseio já se tornou realidade no caso de anomalias genéticas, como as síndromes de Down e de Klinefelter, que afetam uma parcela significativa da população. Há dez anos, Enrique Medina-Acosta, coordenador do Núcleo de Diagnóstico e Investigação Molecular (Nudim), da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), estuda e investiga alterações no DNA de seres humanos. "Com base nos resultados de nossas pesquisas, estamos desenvolvendo testes moleculares para o reconhecimento rápido de doenças genéticas. Até o momento, já desenvolvemos ensaios para 20 delas", conta o pesquisador.

Para Medina-Acosta, as regiões norte e noroeste do estado do Rio de Janeiro são carentes de atendimento especializado em genética humana. Ele conta que com os recursos da FAPERJ, adquiridos por meio de Auxílio à Pesquisa (APQ 1), foi criado um serviço regional para diagnóstico de doenças genéticas, que está sendo oferecido atualmente na pediatria do Hospital Escola Álvaro Alvim, vinculado à Faculdade de Medicina de Campos. "Nossa meta é conseguir oferecer esses testes em toda a rede pública de saúde das regiões norte e noroeste para depois, quem sabe, ampliar para todo o estado do Rio de Janeiro", planeja.

Segundo Medina-Acosta, uma das grandes vantagens da técnica é a rapidez. "Enquanto na rede pública esse tipo de exame demora até oito meses para ficar pronto, nossos resultados saem em até 48 horas." O pesquisador ressalta que, embora não haja possibilidade de cura para doenças genéticas sob estudo, quanto mais precoce for o diagnóstico, mais cedo o paciente receberá o tratamento adequado. "Outro ponto positivo é que o material genético a ser analisado é obtido pela saliva do paciente, sem qualquer desconforto ou dor", acrescenta.

Os testes moleculares genéticos

O DNA humano é organizado em 22 pares de cromossomos autossômicos e um par de cromossomos sexuais, que juntos determinam as características genéticas da espécie humana. Cada cromossomo, por sua vez, possui vários genes. São eles que carregam a hereditariedade, pela qual um indivíduo difere do outro. "As informações contidas no DNA humano determinam, por exemplo, que todos os seres humanos tenham dois olhos, mas a cor deles é ordenada pela expressão dos genes", exemplifica o pesquisador.

Medina-Acosta explica que tanto alterações no número de cromossomos quanto mutações nos genes causam doenças genéticas. Entre as mais comuns, ligadas aos cromossomos, estão as trissomias do 21 (síndrome de Down), do 18 (síndrome de Edwards) e as síndromes de Klinefelter e de Turner. Ligadas aos genes, as estudadas pelo grupo são a hemofilia, a distrofia muscular de Duchenne e a doença de Huntington.

Em pesquisas de base, foram estudados e criados diversos marcadores polifórmicos, que vasculham todas as variações existentes na sequência do DNA. "Quando validados, os marcadores são utilizados no desenvolvimento de testes genéticos", diz Medina-Acosta. Ele explica que, por meio da técnica conhecida como PCR, o DNA é ampliado para visualizar as anomalias detectadas, que aparecem de forma fluorescente.

Como esses marcadores também permitem identificar portadores de genes com mutações, pode-se empregar o método para aconselhamento genético. "Alguns genes são expressos pelo organismo, mas outros não se manifestam. Assim, alguém que apresente mutação em um gene que não se manifesta é absolutamente normal, mas continua com potencial para transmitir a anomalia a outras gerações", explica o pesquisador. Além disso, o material coletado na pesquisa também servirá como subsídio para novas investigações de alterações no DNA de seres humanos. "A partir desses estudos, continuaremos desenvolvendo novos testes para introduzir na rotina hospitalar", aposta.

O pesquisador antecipa que sua equipe está em busca de novos recursos para ampliar a capacidade de atendimento. "O ideal seria que todos os pacientes da rede pública fluminense pudessem contar com um ambulatório de genética clínica e aconselhamento genético, tal qual o serviço que organizamos no Hospital Escola Álvaro Alvim", conclui Medina-Acosta. Ele destaca ainda a participação da pediatra Regina Célia de Souza Campos Fernandes.

Comprimido magnético controla absorção de medicamentos

Comprimido magnético controla absorção dos medicamentos
O comprimido magnético poderá ser útil em vários casos, incluindo os pacientes com diabetes ou câncer e na pesquisa de novos medicamentos.
Comprimido ou injeção?
Você prefere tomar um comprimido ou uma injeção?
O comprimido, obrigado.
Infelizmente, a maioria dos pacientes não tem essa escolha.
O problema com a administração de muitos medicamentos por via oral é que um comprimido nem sempre se dissolverá exatamente no local certo do trato gastrointestinal, onde os princípios ativos possam ser absorvidos pela corrente sanguínea.
Mas agora há uma esperança para comprimidos e pacientes.
Comprimido magnético
Cientistas criaram um comprimido magnético, que pode ser mantido no lugar correto de forma segura - um campo magnético externo segura o comprimido no lugar exato do intestino onde ele precisa estar.
Desenvolvido por pesquisadores da Universidade Brown, nos Estados Unidos, o comprimido magnético poderá ser útil em vários casos, incluindo os pacientes com diabetes ou câncer.
Ele também servirá como uma ferramenta de pesquisa para ajudar os cientistas a entender exatamente onde no intestino as diferentes drogas são melhor absorvidas.
"Com esta tecnologia, agora você pode dizer onde a pílula está, coletar algumas amostras de sangue e saber exatamente se, em cada local, a pílula realmente aumenta a biodisponibilidade do medicamento no organismo," explica a Dra. Edith Mathiowitz, coordenadora da pesquisa.
Controle magnético
Os dois principais componentes da pílula magnética - além do próprio medicamento - são cápsulas de gelatina convencional com um ímã minúsculo em seu interior.
Um outro ímã externo detecta precisamente onde a pílula está. Ajustando a força entre os dois ímãs é possível manter a pílula no lugar.
Esta não é a primeira vez que cientistas tentam guiar pílulas magneticamente, mas é a primeira em que os cientistas conseguem fazer isto de forma segura para uso no corpo. Isso foi possível trazendo ao mínimo possível a força necessária para manter as pílulas magnéticas no lugar.
"A coisa mais importante é ser capaz de controlar as forças exercidas sobre a pílula, a fim de evitar danos ao tecido ao seu redor," explica Mathiowitz. "Se você aplicar força demais, a pílula será puxada para o ímã externo, e isto será um problema."
Para resolver o problema, a equipe construiu um sistema magnético externo totalmente ajustável por meio de um sofisticado controle por computador, o que permite criar um campo magnético na intensidade adequada.
O comprimido magnético agora será testado em animais maiores, o que definirá se ele poderá ser encaminhado para testes em seres humanos.